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1º Teia Amazonas: propostas e eleição de delegados

O Palacete Provincial foi palco, na sexta-feira (30), do encerramento da 1ª Teia Amazonas – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, consolidando-se como o maior marco recente da Política Cultura Viva no estado.

Promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com o Ministério da Cultura, o evento reuniu fazedores de cultura de diversos territórios para oficializar propostas estratégicas e fortalecer a rede de Pontos e Pontões de Cultura, unindo a salvaguarda das tradições locais à urgência da pauta ambiental.

Na manhã do último dia, os participantes foram divididos em três eixos temáticos, onde as propostas foram debatidas e definidas em consenso. Durante toda a manhã, os grupos se dedicaram à elaboração de diretrizes para compor o documento final da Teia Amazonas e seguirão para a etapa nacional da Cultura Viva, que acontece nos dias 24 a 29 de março em Aracruz, no Espírito Santo, contribuindo diretamente para a construção do Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos dez anos.

No Eixo 1 – Plano Nacional de Cultura Viva, mediado por Lydia Lúcia, com relatoria de Mirelly Chunia Marques, uma das principais propostas aprovadas foi o Fomento Territorializado e Sustentável da Cultura Viva na Amazônia, considerando o fator amazônico.

A diretriz prevê a criação de mecanismos permanentes e diferenciados de financiamento, como fundo nacional específico, planos plurianuais, critérios territoriais e a obrigatoriedade de ações ambientais em todos os projetos contemplados. A proposta foi construída de forma coletiva e destaca a necessidade de tratamento desigual para realidades desiguais, levando em conta os desafios logísticos, sociais e ambientais da região.

Para o coordenador do Eixo 1, Marcos Moura, o debate foi fundamental para garantir que as especificidades amazônicas sejam reconhecidas nas políticas nacionais: “Discutimos propostas que levam em consideração o fator amazônico, nossas experiências e a inteligência coletiva. São diretrizes importantes que irão legitimar futuras ações e políticas nacionais de cultura com uma atenção diferenciada para a Amazônia.”, destacou.

No Eixo 2 – Governança e Gestão Compartilhada entre Estado e Sociedade Civil, os participantes discutiram estratégias para fortalecer a participação dos Pontos de Cultura nos processos decisórios das políticas públicas. Entre as propostas aprovadas estão a obrigatoriedade de assessoria técnica permanente aos pontos e pontões de cultura, oferecida por estados e municípios, além da criação e ampliação de cadeiras de representação da Cultura Viva nos conselhos nacional, estaduais e municipais.
Também foi defendida a descentralização de recursos, a ampliação de editais específicos e a criação de planos de médio e longo prazo que garantam a continuidade das ações da Cultura Viva, mesmo com mudanças de gestão.

O Eixo 3 – Sustentabilidade da Criação Artística e Cultural na Amazônia, concentrou os debates na valorização da produção cultural amazônica a partir do território e da diversidade dos povos.
As propostas destacaram a necessidade de ampliar o acesso aos editais, garantir recursos específicos para povos originários, comunidades tradicionais e periféricas, além de incentivar ações que integrem cultura, meio ambiente e economia local.

Também foram apontadas medidas voltadas à acessibilidade, à formação continuada e à criação de programas de apoio que reconheçam a arte e a cultura como instrumentos fundamentais para a preservação ambiental, o fortalecimento comunitário e a justiça climática.

Novos delegados


Durante a tarde, foi realizada a eleição dos delegados que irão representar o Amazonas na etapa nacional da Cultura Viva. Ao todo, foram escolhidos 30 delegados por votação, além dos delegados natos e suplentes, garantindo uma representação diversa, construída de forma democrática e participativa.


Uma das delegadas eleitas, Andarilha, do Ponto de Cultura Cocada Baré, ressaltou a importância da realização da primeira Teia no estado: “Foi um encontro fundamental para fortalecer o diálogo sobre Cultura Viva nos nossos territórios. Saímos daqui mais preparados para defender políticas culturais que considerem o fator amazônico e que contemplem tanto a capital quanto o interior, que enfrenta muitas dificuldades de acesso às políticas públicas”, pontuou.

Recomeço

À frente da organização da Teia Amazonas, Lydia Lúcia destacou o sentimento de encerramento de um ciclo histórico para o estado: “Há 12 anos o Amazonas não realizava um fórum como esse. Toda a documentação havia se perdido e foi preciso recomeçar do zero. Hoje temos mais de 300 novos Pontos de Cultura, ávidos por informação”, afirmou.

O encerramento da 1ª Teia Amazonas foi marcado por um cortejo cultural, que seguiu do auditório até o Palco Teia, com a apresentação do grupo Águas de Oxalá, seguido por apresentações do Coletivo Cultural Circo Caboclo, Grupo Folclórico Flores do Carimbó, Ponto de Cultura do Sol, Maracatu Pedra Encantada, Cocada Baré e, encerrando a noite o show de Luli Braga, celebrando a diversidade e a força da cultura amazônida.

Com o encerramento da programação, as propostas aprovadas e os delegados eleitos seguem agora para a etapa nacional do Plano Nacional Cultura Viva, onde o Amazonas passa a integrar de forma ativa o debate sobre as políticas culturais do país, reafirmando o protagonismo da região Norte na construção de uma Cultura Viva mais justa, territorializada e plural.

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