Uma espécie de ilha da fantasia romântica do socialismo moreno latino americano, Cuba acordou após anos sob o regime de mão-de-ferro do Castrismo, que manteve a família do comandante Fidel no poder por décadas.
Pela primeira vez, desde que Fidel tomou a ilha das mãos de Fulgêncio Batista no fim dos anos 50, que os cubanos não reagiam nas ruas. Desta vez os gritos são de liberdade e pelo fim da ditadura.
Dede domingo último que manifestantes em todo o país foram às ruas para protestar contra o regime do presidente Miguel Díaz-Canel — algo inédito na ilha, comandada pelo Partido Comunista há décadas.
A crise parece insustentável e nem a repressão violenta da polícia e de militares com a volta de prisões e pessoas desaparecida parece suficiente para conter os protestos da população, que agora tem o celular e internet nas mãos.
Farta da eterna crise econômica, justificada durante anos pelo embargo americano, a população não deseja apenas liberdade. Ela quer também o acesso a tecnologia, melhores condições de vida, o direito de ir e vir e a renúncia de Díaz-Canel.
As manifestações acontecem num momento de forte crise, que sofre com a escassez de medicamentos e produtos básicos, além de passar pela terceira — e pior — onda da pandemia até então.
Com pouco mais de 11,3 milhões de habitantes, a ilha soma 244.914 casos confirmados e 1.579 mortes pelo coronavírus, segundo balanço da Universidade Johns Hopkins.
WhatsApp, Facebook, foram novidades que chegaram em 2018 com a internet móvel iluminando e transformando a vida dos cubanos, que viviam sob a tutela da comunicação oficial estatal. A rede mundial foi – cortada após as manifestações.
De domingo até o momento, segundo opositores, cerca de 100 manifestantes, ativistas e jornalistas independentes estão presos.
Os protestos foram os maiores desde o “maleconazo” de 1994, por conta da dissolução da União Soviética que reduziu em 35% o PIB e racionamento de comida.
Agora há uma conotação política nos slogans dos manifestantes, que pedem mais liberdade e a saída do presidente Miguel Díaz-Canel, além de cantar trechos do rap “Patria y vida”, lançado neste ano e que virou o hino da insatisfação cubana ao desafiar o lema “pátria ou morte” consagrado por Fidel Castro na revolução de 1959.


