Autazes tem a maior reserva brasileira de potássio e tem diversas aplicações nas indústrias de manufatura de vidros especiais, fabricação de sabões, detergentes, fabricação de explosivos e principalmente no agronegócio – como fertilizantes.

A extração de potássio em Autazes (a 113 quilômetros de Manaus) ganhou visibilidade com a guerra na Ucrânia. As reservas do minério no Amazonas têm potencial para aumentar a produção brasileira e reduzir a dependência externa por fertilizantes da Rússia, maior exportador para o Brasil, avalia a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), que tem atribuições do Serviço Geológico do Brasil.
O preço do produto varia de US$ 900 a US$ 1 mil por tonelada no mercado internacional.
Diante da possibilidade da falta de fertilizantes o governo brasileiro mobilizou a base parlamentar para aprovar tramitação em regime de urgência no Congresso Nacional de projeto de lei que permite a mineração em terras indígenas.
No Amazonas, o principal minério a ser explorado é o potássio. A decisão preocupa ambientalistas, que citam riscos como aumento do desmatamento e perda de biodiversidade. Mas tanto o CPRM quanto a empresa que exploram o minério afirmam que os riscos são mínimos e que as técnicas de exploração não devem causar danos ambientais.
Amazonas e Sergipe
No Brasil, as maiores concentrações de potássio estão em Autazes e Sergipe, onde o mineral é já explorado.
No estado nordestino, a mina de Taquari-Vassouras abrange os municípios de Carmópolis, Santa Rosa de Lima e Rosário do Catete. A exploração é feita pela empresa norte-americana Mosaic. Dados da ANM (Agência Nacional de Mineração) indicam que as reservas em Sergipe, em 2014, eram de 12,979 milhões de toneladas.
Em Autazes, a empresa Potássio do Brasil atua desde 2009, mas ainda não explora o minério no Amazonas. O Projeto Potassio Autazes está em fase de licenciamento ambiental e em consulta ao povo indígena Mura.
As reservas conhecidas na Bacia do Amazonas são da ordem de 1,929 bilhões de toneladas.
De acordo com a equipe técnica do CPRM*, estão localizadas na Fazendinha-Arari-Autazes, que se estende por Nova Olinda do Norte e Itacoatiara. Levantamento do CPRM mostra que as reservas de Fazendinha são de 487 milhões de toneladas.
O minério é encontrado quando a perfuração chega a 980 metros de profundidade, variando até 1.140 metros.
Em Ariri, Itacoatiara, são 675 milhões de toneladas, com a profundidade de exploração variando de 979 a 1.290 metros.
E em Autazes a estimativa é de 767 milhões de toneladas, com profundidade de exploração de 685 a 860 metros.
A Potássio do Brasil é a única empresa operando na região e tem outros projetos no Amazonas. Foram anunciadas novas descobertas nas regiões de Novo Remanso, em Itacoatiara, e nos municípios de Silves e São Sebastião do Uatumã, com volume de 371 milhões de toneladas.
Trabalhos de reavaliação de dados sísmicos e perfis de poços de petróleo conduzidos pela CPRM mostram que outras áreas na Bacia do Amazonas apresentam potencial para novas descobertas, que podem agregar aproximadamente 2,404 bilhão de toneladas do minério.


