
Agentes da Polícia Federal infiltrados em uma festa familiar dos principais suspeitos de matar o indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês, Dom Phillips, prenderam cinco pessoas neste sábado (6), no município de Atalaia do Norte (AM), na região da tríplice fronteira com o Peru e a Colômbia – a 1.200 km de Manaus.
Entre os presos, há três familiares de Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado – o filho, Amarílio de Freitas Oliveira, conhecido como “Dedei” e outros dois primos de ‘ Pelado’ , preso desde 7 de junho, ele confessou participação no crime e é um dos réus no caso. Os outros nomes ainda não foram divulgados.
Os agentes trabalham na região numa operação de combate de pesca ilegal no território do Vale do Javari e ontem já haviam prendido o filho de Amarildo da Costa, Amarílio de Freitas Oliveira, de 21 anos.
Bruno e Dom foram mortos a tiros e tiveram os corpos queimados e enterrados. A investigação concluiu que o indigenista foi assassinado por combater a pesca ilegal no Vale do Javari, que é a segunda maior terra indígena do país e enfrenta conflitos típicos da Amazônia: tráfico de drogas, roubo de madeira e avanço do garimpo. O jornalista morreu porque estava junto com Bruno.
A dupla retornava de barco de uma comunidade ribeirinha quando sofreu uma emboscada no rio Itaquaí. A polícia afirma que Bruno e Dom foram perseguidos e alvejados por Amarildo e Jefferson da Silva Lima, que é conhecido como Pelado da Dinha, está preso desde 18 de junho e confessou participação no crime.
Além deles, em 14 de junho foi detido Oseney da Costa de Oliveira, o Dos Santos, que é irmão de Amarildo e nega as acusações.
Os três são réus pelos crimes de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Outras cinco pessoas respondem em liberdade pelo crime de ocultação de cadáver.
Quadrilha de pesca ilegal
Para a operação deste sábado, a Justiça Federal expediu ao todo sete mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão nas casas de suspeitos de fazerem parte da quadrilha. Todos os suspeitos foram presos.
De acordo com a PF, a ação buscava integrantes de uma quadrilha que atua na pesca ilegal no Vale do Javari e se concentrou em comunidades ribeirinhas de Atalaia do Norte e Benjamin Constant, município vizinho que fica na fronteira com o Peru e perto da Colômbia.
Um dos alvos era o próprio Amarildo, além de dois de seus irmãos e de seu filho. Outro era Rubens Villar Coelho, o Colômbia, apontado como chefe do bando e preso em 8 de julho por uso de documento falso, ao se apresentar à PF para negar o envolvimento nas mortes de Bruno e Dom. Na ocasião, ele portava três identidades, cada uma de um país.
Amarildo e Colômbia passaram a responder pelo crime de pesca ilegal, da além da morte de Bruno e Dom.
Segundo as investigações, a quadrilha de Colômbia é suspeita do assassinato, em setembro de 2019, do agente da Funai Maxciel Pefeira dos Santos, ocorrido em Tabatinga. Parceiro de Bruno, Maxciel também combatia a pesca ilegal no no Javari e foi responsável por grandes apreensões de carregamentos de peixes, motivo pelo qual teria sido morto.
As investigações apontam que Colômbia fornece barcos, motores e insumos como adiantamento do pescado ilegal no Vale do Javari.
Revelam ainda que os envolvidos vivem da prática da pesca ilegal (principalmente de pirarucu e tracajá, inclusive durante a época de defeso) e andam armados.
Depoimentos indicam que os integrantes do bando pressionam os pescadores que têm seus pescados apreendidos por fiscalizações e ações policiais.


