
Segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) o garimpo ilegal na Amazônia provocou um prejuízo de R$ 39 bilhões, entre janeiro de 2021 e junho de 2022. De acordo com o levantamento, o lucro dos garimpeiros no mesmo período foi R$ 44,6 bilhões.
O estudo aponta ainda que os impostos arrecadados pelo governo federal com a mineração do ouro representam menos de 2% do valor do prejuízo.
Ainda de acordo com o levantamento divulgado na última terça-feira (6), a alta valorização do ouro no mercado internacional alimentou o crescimento da mineração ilegal no Brasil, em grande parte na Amazônia.
A mineração de ouro no Brasil, 14º maior produtor mundial do metal no ano passado, disparou desde que a pandemia de Covid-19 levou os preços internacionais a níveis recordes.
Das 112 toneladas de ouro produzidas no Brasil em 2021, pelo menos 7% eram de origem ilegal e 25% de origem potencialmente ilegal, segundo a UFMG.
“De 2020 para 2021 houve um aumento de 44% na quantidade ilegal de ouro” produzida no país, afirma a pesquisa, que constata uma tendência similar nos primeiros seis meses de 2022.
A UFMG aponta que os altos preços estão alimentando a corrida pelo ouro na Amazônia brasileira, onde o desmatamento para mineração atingiu um recorde de 121 km² no ano passado, segundo o sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O estudo da UFMG revela ainda que pelo menos 23% do desmatamento para mineração na Amazônia, bioma considerado fundamental para conter as mudanças climáticas, ocorre dentro de reservas indígenas, áreas de conservação ambiental e outras terras protegidas por lei.
“Garimpeiros ligados ao crime organizado são acusados de inúmeros abusos em comunidades indígenas, incluindo envenenamento de rios com o mercúrio usado para separar ouro de sedimentos e, às vezes, ataques mortais a moradores”, diz o estudo mineiro.
O estudo indica que 98% da mineração ilegal de ouro no Brasil está concentrada em três municípios do norte do Pará, afetando principalmente terras indígenas dos povos Kayapó e Munduruku.
“Na Amazônia, a gente tem um prejuízo que é coletivizado, socializado e o lucro dessas operações se concentrando em poucos atores”, afirma o engenheiro Bruno Manzolli, principal autor do estudo da UFMG.


