Futuros comandantes Júlio César de Arruda (Exército), Marcos Sampaio Olsen (Marinha) e Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica) conversaram com Lula.

O futuro ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o atual titular do cargo, general Paulo Sérgio Nogueira, decidiram nesta segunda-feira (26) autorizar os comandantes do Exército e da Marinha a anteciparem a passagem do comando para antes da posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os novos comandantes das Forças Armadas – Júlio César de Arruda (Exército), Marcos Sampaio Olsen (Marinha) e Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica) vão substituir o almirante Almir Garnier Santos (Marinha); o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior (FAB) e general Marcos Antonio Freire Gomes (Exército).
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Eles tomaram posse em abril de 2021, depois que os antecessores rejeitaram maior alinhamento político ao presidente Jair Bolsonaro e deixaram os cargos.
Na Marinha, a troca da chefia deve ocorrer na quarta-feira (28) ou quinta-feira (29). No Exército, a data prevista é sexta-feira (30).
Somente na Aeronáutica a passagem deve ser oficializada no dia 2 de janeiro, depois que Lula já tiver assumido a Presidiência.
Na quinta, Paulo Sérgio ainda fará uma cerimônia de despedida do cargo no Salão Nobre do Ministério da Defesa, às 16h30, conforme convite enviado aos funcionários da pasta.
O evento contará com a inauguração da foto oficial do general na galeria de retratos do órgão.As datas foram definidas após Múcio conversar com os futuros comandantes e baixar o clima de tensão entre os militares e o governo eleito.
Interlocutores do futuro ministro disseram ainda que Múcio tem dito que, apesar da passagem antecipada, as trocas não sinalizam uma ruptura ou insubordinação.
A passagem de comando antecipada, no entanto, foi inicialmente costurada pelos comandantes militares numa tentativa de não se submeter ao presidente eleito.
O ex-presidente do TCU (Tribunal de Contas da União) foi escolhido para chefiar o Ministério da Defesa em meio às tensões envolvendo os militares e Lula, eleito em 30 de outubro.
Nesse contexto, a decisão de Múcio de indicar os oficiais-generais mais antigos de cada Força para o comando serviu como forma de acalmar os ânimos e sinalizar que o governo eleito não iria promover uma ruptura com os militares.