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Seca: navios começam cancelar viagens e ameaça desabaster Manaus

O assoreamento do rio Amazonas, devido à extrema seca, resultou no cancelamento de viagens programadas de dois navios de carga para Manaus esta semana.

A Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac) indicou que pelo menos outras três embarcações devem seguir o mesmo caminho nos próximos dias.

Embora o governo federal tenha anunciado a dragagem dos rios como solução, o serviço ainda não começou e está previsto para durar pelo menos 45 dias, de acordo com estimativas oficiais.

Luis Fernando Resano, diretor-executivo da Abac, observou que a situação é crítica e aumenta o risco de desabastecimento em Manaus. Ele enfatizou que a restrição de passagem para navios com até 7,30 metros de profundidade, por orientação da Capitania dos Portos, está afetando operacionalmente a chegada de navios.

Isso resulta na impossibilidade de muitos navios chegarem a Manaus.

Resano também ressaltou que essa situação pode levar a escassez de produtos na capital do Amazonas, pois as embarcações transportam uma variedade de mercadorias, como arroz e feijão.

Ele destacou que não se trata apenas do impacto dos navios que não conseguem chegar, mas também da possibilidade de esgotamento dos estoques já existentes.

Os trechos do rio Amazonas com maior dificuldade de navegação são a Enseada do Madeira e o Tabocal, entre Manaus e Itacoatiara.

O governo federal anunciou obras de dragagem nesses locais, bem como no rio Solimões, entre Tabatinga e Benjamin Constant, em 27 de setembro.

No entanto, o representante da Abac expressou preocupação com o atraso na chegada da draga ao local, enfatizando que ela deveria estar posicionada para criar um canal que permita a passagem dos navios pelo trecho do rio.

Dragagem

Anunciados há duas semanas, quando o Ministério dos Transportes assinou o contrato, os serviços de dragagem dos rios ainda não começaram. De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit), as máquinas já estão no local, mas ainda aguardam o trabalho de batimetria (medição da profundidade do rio), que não começou.

“O DNIT informa que as máquinas estão no local. O Departamento já tem a  Licença Ambiental Única, emitida pelo Ipaam [órgão ambiental estadual] e também a autorização pré-dragagem da Marinha. A supervisora, cujo contrato foi publicado nesta segunda-feira (9), irá iniciar os trabalhos de batimetria para que seja possível iniciar a dragagem”, diz nota enviada à reportagem. A dragagem no rio Solimões é avaliada em R$ 18 milhões.

Nos rios Madeira e Amazonas, um total de R$ 100 milhões. 

Transporte

Presidente da Câmara dos Lojistas de Manaus (CDL), Ralph Assayag diz que a empresa Aliança, que fazia transporte de cargas, parou de trazer containers a Manaus. Agora, apenas uma empresa opera com navios menores, a Log-In. O cenário tem provocado aumento no preço dos produtos, mas ele ainda não vê desabastecimento.

“O pessoal da praticagem, que cobrava R$ 80 mil para trazer um navio até Manaus, agora cobra R$ 800 mil para uma viagem de três, quatro dias de Belém a Manaus. Isso deixa os produtos mais caros e estamos brigando para reduzir esses valores. Sobre desabastecimento, ninguém sabe. Se ficar secando até dezembro, vai chegar um momento que não vem mesmo. Mas até agora ainda estão chegando navios”, afirma ele.

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