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Economia decidirá o destino da Argentina na eleição de domingo

Possibilidade de eleição de Milei na Argentina preocupa governo brasileiro,  diz Haddad | Jovem Pan
Javier Milei é apontado pelas pesquisas como candidato favorito nas eleições argentinas

Os argentinos vão às urnas neste domingo (22) para eleger o próximo presidente do país. Seja quem for o vencedor, já há uma certeza. O escolhido enfrentará uma encrenca descomunal. A economia argentina está em frangalhos e esse fato terá peso decisivo no pleito.

Na Argentina, a taxa de inflação chegou a 138% em setembro, o maior nível em três décadas. Espera-se que ultrapasse 180% até o fim deste ano. Os juros básicos estão em 133% – e subindo. A título de comparação, no Brasil, a taxa já é considerada sufocante por inúmeros setores empresariais e está em 12,75% – e descendo.

Consequência direta da disparada dos preços, a pobreza alcançou 40,1% da população no primeiro semestre de 2023 e jogou outros 9,3% numa situação de indigência. Tais números eram de 36,5% de pobres, além de 8,8% de indigentes, no mesmo período de 2022.

Esses são os atuais sintomas, mas nem de longe os únicos. “O que vemos na Argentina é um ciclo de deterioração, com algumas idas e vindas, mas que nunca termina de fato”, diz o economista Livio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e sócio da consultoria BRCG. “O pior é que não há perspectiva de solução para o problema no curto prazo.”

Recorde de recessões

Uma demonstração clara de como os perrengues econômicos resistem por longos períodos na Argentina foi oferecida por um estudo do Banco Mundial, de 2018. Ele mostrou que o país ficou em recessão cerca de um terço do tempo entre 1950 e 2016. Esse foi o período mais longo registrado entre os países do mundo, à exceção da República Democrática do Congo.

Agora, o Produto Interno Bruto (PIB) está à beira de mais uma contração, a sexta em uma década. Daí, observa Ribeiro, a relação explosiva entre o quadro econômico e as urnas.

Diz ele: “No cenário imediato pré-eleitoral, o que temos é uma imensa queda de confiança na economia, que está levando a patamares inéditos as cotações do câmbio, dos juros e consolidando a inflação nas alturas.”

Milei e Massa

As últimas pesquisas de opinião mostram que a corrida presidencial se concentra em dois nomes, com um terceiro eventual azarão. Hoje, o favorito é o ultraliberal Javier Milei, que pode levar o pleito no primeiro turno. Ele é seguido pelo candidato do governo, o atual ministro da Economia, o peronista Sergio Massa. Por fora – e bem por fora –, corre a liberal Patricia Bullrich, aliada do ex-presidente Mauricio Macri, de quem foi ministra da Segurança.

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