
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se irritou com jornalistas nesta segunda-feira (30) após ser questionado sobre a possibilidade de descumprimento da meta de déficit zero para o ano de 2024.
Com a árdua tarefa de tentar contornar os efeitos da “bomba” que o presidente Lula (PT) jogou no mercado financeiro ao abandonar a meta de zerar o rombo nas contas do governo, o ministro da Fazenda concedeu uma entrevista coletiva.
O chefe da equipe econômica respondeu aos jornalistas em certos momentos chamando-os de “querido” e “querida”. Em um dos casos, falou para uma repórter fazer o trabalho dela, após ser questionado qual seria a empresa mencionada por ele que tinha empregado uma estratégia para pagar menos impostos -segundo ele, os dados são públicos.
Foi quando uma repórter perguntou o nome da referida empresa e Haddad, na defensiva, após tentar duas vezes se esquivar de dizer, respondeu:
– Querida, você… Faz o teu trabalho, é público [o acesso ao documento].
De forma imprecisa e confusa, Haddad tentou explicar o cenário arrecadatório adverso e achou um culpado para os desafios fiscais que ele mesmo não contemplou quando estipulou uma meta tão pretensiosa: o Judiciário.
Segundo o chefe da Fazenda, o desafio é oriundo de uma decisão do STF no ano de 2017, definindo que, ao ser calculado o valor que as empresas teriam de pagar de PIS e Cofins, seria excluído o que elas já haviam pagado de ICMS.
Ele também mencionou como perda na arrecadação o abatimento do imposto de renda de pessoa jurídica e disse que esse valor que deixa de entrar para o governo estava na casa de R$ 144 bilhões e esse ano já está em R$ 200 bilhões.
Questionado se, apesar da fala de Lula, ele manteria a meta de zerar o déficit, Haddad ora ficou nervoso, ora riu e debochou da insistência dos jornalistas, mas não respondeu objetivamente.
As perguntas da entrevista giraram em torno, majoritariamente, da fala do presidente de que a meta de déficit zero “dificilmente” seria alcançada.
Em determinado momento, quando uma jornalista afirmou que ele não teria respondido se o objetivo seria ou não alcançado, o ministro interrompeu a conversa, se levantou, ainda fez uma fala longe do microfone.


