
O número de yanomamis mortos no primeiro ano de governo do presidente Lula teve uma alta em relação ao governo anterior. Em 2022, último ano da gestão de Jair Bolsonaro, foram registradas 343 mortes de indígenas e a oposição afirmava que havia um ‘genocídio”. Em 2023, foram 363.
O Supremo Tribunal Federal (STF) chegou até a determinar a abertura de uma investigação de autoridades do governo Bolsonaro pela suposta prática de genocídio de indígenas Yanomami. O pedido foi assinado pelo ministro Luís Roberto Barroso.
Assim que assumiu a Presidência, em janeiro de 2023, Lula fez uma viagem para a reserva Yanomami em Roraima denunciando o descaso do governo Bolsonaro e prometendo estancar a mortalidade dos indígenas.
Os yanomamis continuam acometidos de casos crônicos de desnutrição e expostos ao contato com garimpeiros e madeireiros que atuam ilegalmente na região, dificultando o desenvolvimento do plantio de alimentos e pesca. Eles dependem, portanto, da ajuda federal, que tem falhado.
Enquanto os indígenas morrem desnutridos, a culpa vai sendo jogada de um lado para outro. O Ministério dos Povos Indígenas, comandado por Sonia Guajajara (Psol) chegou a afirmar que Lula subestimou a situação e se eximiu de culpa. Seu partido, por sua vez, divulgou um documento no qual acusa o Ministério da Defesa de negligência e culpa o Congresso nacional pela situação.
“Destaca-se a questão yanomami em que a negligência do Ministério da Defesa comprometeu as ações de combate ao garimpo ilegal e de proteção dos yanomamis na região. O Congresso Nacional, majoritariamente conservador e pautado pelo peso da bancada ruralista, estabeleceu como prioridade impor retrocessos com o marco temporal e aprovar a desidratação do Ministério dos Povos Indígena”, diz trecho do documento.
O fato é que o descaso do governo Lula com os indígenas que ele prometeu proteger chegou até a mídia internacional.
Um recente artigo da Newsweek, republicado pelo site O Antagonista, afirma que “os indígenas do Brasil foram usados como ferramenta de propaganda e promessas de campanha vazias, sem qualquer mudança real” que “os gestos de Lula para com esta população parecem ter sido meramente cosméticos, uma forma de apaziguar as críticas, enquanto no mundo real os indígenas continuam a ser perseguidos e mortos nas suas terras de origem”.


