A obra apresenta mais de 20 receitas de pratos feitos com base nas frutas da região amazônica, como farofas, risotos, pães e bolos.

Pesquisadores lançam livro que ressalta o valor nutricional das frutas amazônicas como o açaí-do-mato, buriti, tucumã e jenipapo no enfrentamento à fome e desnutrição. Intitulado ‘Frutas da Floresta: o Poder Nutricional da Biodiversidade Amazônica’, a obra, lançada nesta semana busca disseminar conhecimento sobre esses alimentos, destacando sua relevância para a alimentação, saúde, cultura e preservação da biodiversidade.
A obra foi lançada por pesquisadores do Instituto Mamirauá, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Laboratório de Biodiversidade e Nutrição (LabNutrir) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Desde 2022, os pesquisadores têm realizado trabalhos de campo sobre a sociobiodiversidade amazônica com as comunidades locais. Segundo Daniel Tregidgo, pesquisador do Instituto Mamirauá e autor do livro, a população ribeirinha possui um vasto conhecimento sobre a ecologia e os usos da biodiversidade na alimentação.
O livro também compila dados culturais, poemas e curiosidades tradicionais sobre esses vegetais, buscando resgatar e valorizar o conhecimento local.
Para estimular o consumo desses alimentos, a obra apresenta mais de 20 receitas de pratos feitos com base nas frutas da região amazônica, como farofas, risotos, pães e bolos.
Os pesquisadores destacam que, apesar de a desnutrição ser um problema complexo, a publicação pode contribuir para a valorização dos alimentos disponíveis no bioma amazônico. Eles ressaltam que a floresta amazônica oferece uma grande riqueza de alimentos que podem promover a saúde da população local, quando utilizados de forma adequada.
A nutricionista Yasmin Araújo, coautora do livro, ressalta que a alimentação da população ribeirinha está sujeita às variações climáticas, mas o livro traz espécies de frutas disponíveis em todas as épocas do ano, tanto em áreas de terra firme como em áreas de várzea.
Além de promover a saúde da população, os pesquisadores acreditam que a publicação pode contribuir para a preservação da biodiversidade e gerar um aumento na comercialização de frutas amazônicas, integrando-as nas políticas públicas de alimentação, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o que poderia trazer mais valor econômico e cultural para a manutenção da floresta amazônica.


