
Em março, foi lançado um livro“Peixes da Amazônia que podem causar acidentes”, destacando as 10 espécies de peixes mais propensas a causar danos, incluindo piranhas, arraias e candirus. Segundo dados catalogados no livro, a incidência de acidentes envolvendo essas espécies tem aumentado, especialmente em áreas frequentadas por banhistas.
O Edinbergh Caldas, especialista em ecologia dos peixes amazônicos, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) enfatizou a importância do livro como uma tentativa de mitigar os impactos dos acidentes e disseminar conhecimento científico sobre as espécies locais.
Caldas destacou que a frequência crescente de acidentes envolvendo piranhas e arraias está diretamente relacionada à alteração dos ecossistemas aquáticos. Ele enfatizou que, ao transformar áreas naturais em balneários, ocorrem mudanças significativas nos habitats dessas espécies, levando-as a reagir de maneira defensiva, principalmente durante períodos de reprodução.
Ao abordar o comportamento das piranhas, o especialista esclareceu que esses peixes não buscam ativamente atacar seres humanos, mas agem em defesa de seus territórios e ninhos.
As mordidas de advertência servem como um alerta para os invasores deixarem o local. Além das piranhas, outras espécies, como o mandim e o bacu, também podem causar acidentes, especialmente quando manipuladas de maneira inadequada.
O especialista mencionou ainda que durante períodos de vazante, que precedem a seca, há uma maior incidência de captura de piranhas em alguns balneários da região amazônica. No entanto, ressaltou a dificuldade em obter registros oficiais de acidentes devido à falta de catalogação adequada nos serviços de saúde locais.
Hoje, com o livro esgotado, Caldas diz que está em busca de financiamento para uma segunda edição. Ele também disse ter a intenção de disponibilizar uma versão digital e distribuir exemplares para comunidades ribeirinhas, visando fornecer informações sobre primeiros socorros e prevenção de acidentes.


