
A empresa Manaus Energia vem promovendo um rodizio na distribuição dos serviços nos bairros de Manaus, definindo os que ficam sem luz diariamente divido as constantes ‘manutenções’, uma justificativa da concessionária para os constantes apagões que vem sendo revezados pelo comando da companhia na capital amazonense desde o ano passado. Pior, tem feito isso de forma ostensiva com a relação dos locais que ficarão sem luz diariamente por meio da sua assessoria de imprensa.
Neste domingo a situação fugiu do controle e todas as regiões da cidade foram afetadas pela falta de energia desde às 13h56, conforme nota da própria empresa justificando suas falhas.
Segundo a nota da Amazonas Energia, “um desligamento intempestivo (?)” na linha de transmissão Lechuga-Manaus deixou toda a cidade e Iranduba e Manacapuru inoperante.
Nas redes sociais as informações se concretizam. Na zona Oeste – da Ponta Negra a Compensa – além das regiões Sul, Leste e Norte e Centro relatam falta de energia.
A rede de transmissão é integrada ao sistema nacional pelo Linhão de Tucuruí e tem a sua disposição o apoio da hidrelétrica de Balbina, com capacidade para gerar energia para uma cidade de 2 milhões de habitantes. Como emergência, a Amazonas Energia pode utilizar as usinas termoelétricas que trocaram a matriz energética anterior de diesel para gás natural, limpa.
Segundo o Valor Econômico, a empresa está em processo falimentar e com uma dívida que pelos números é bem difícil de pagar e seus credores estão preocupados com a situação de inadimplência. Uma delas é a Eletrobrás.
O vice-presidente de regulação e relações institucionais da Eletrobras, Rodrigo Limp, afirmou que a empresa estuda estratégias para receber a dívida bilionária da Amazonas Energia, que permanece em situação de inadimplência desde outubro de 2023, após a recomendação de caducidade da concessão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Privatizada em 2018, a Amazonas Energia enfrentou desafios na restauração de seus indicadores econômico-financeiros. Diante dessa situação, estabeleceu-se um plano de resultados em colaboração com a Aneel, visando a alcançar metas específicas.
Uma parte significativa de sua dívida de R$ 9,6 bilhões está concentrada na Eletrobras (R$ 3,6 bilhões), que já observa o risco de calote. A Eletrobras diz que cobra da Amazonas, junto às autoridades do setor elétrico, o pagamento das obrigações.
“Desde maio de 2022, a empresa vinha se mantendo adimplente em relação às despesas correntes. Após a confirmação de recomendação de caducidade pela Aneel, em outubro, houve uma deterioração grande na distribuidora, o que resultou em inadimplência nas despesas correntes”, disse Limp.
Segundo ele, a empresa conseguiu decisões importantes, como a de receber a maior parte das despesas correntes por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), um fundo setorial bancado pelos consumidores na conta de luz.
A empresa tem atuado para que outros créditos da Amazonas sejam repassados diretamente à Eletrobras. Até julho de 2023, a empresa buscou negociações com a Aneel apresentando diversos pedidos de prorrogação para análise de investidores. Nesse processo, até oito interessados participaram das negociações.
“Temos atuado com a Aneel e o MME [Ministério das Minas e Energia] para construir um grupo de trabalho que publicou um relatório com alternativas. Todas partem da premissa da troca do concessionário, do controlador [o grupo Oliveira Energia]”, afirmou o executivo da Eletrobrás.


