
O Amazonas apresenta uma das situações mais críticas do Brasil no que se refere à mortalidade no trânsito envolvendo motociclistas. Somente entre janeiro e maio de 2025, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) já contabilizou 72 mortes em sinistros com esse tipo de veículo.
O dado reitera a posição do estado como o quinto do país com maior proporção de óbitos de motociclistas em relação ao total de mortes no trânsito, com 57,3%, segundo a edição mais recente do Atlas da Violência.
O levantamento nacional indica que o usuário de moto é hoje a principal vítima da violência no trânsito brasileiro, resultado de um processo contínuo de crescimento da frota sem o acompanhamento proporcional de infraestrutura e gestão viária.
Aumento de mortes nos últimos 30 anos
De acordo com o Atlas da Violência, as mortes de usuários de motocicletas no Brasil cresceram mais de dez vezes nos últimos 30 anos, com pico de quase 13 mil vítimas em 2014.
Entre 2014 e 2019, observou-se uma breve redução na mortalidade, atribuída em parte à desaceleração da economia e à consequente queda da demanda agregada por deslocamentos.
Contudo, desde 2019, a tendência de crescimento foi retomada, com certa estabilidade nos anos de pandemia (2020 e 2021), e voltou a crescer nos anos seguintes, acompanhando a intensificação do uso de motocicletas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Registros de acidentes de moto no Amazonas
Atualmente, o Amazonas possui 429.990 motocicletas registradas, segundo o Detran-AM. Esse contingente representa um número expressivo de veículos circulando, sobretudo em áreas urbanas, onde o risco de sinistros é maior.
Em 2024, das 15.240 internações por acidentes de trânsito em unidades públicas do estado, 11.325 foram de motociclistas. No mesmo ano, foram registradas 325 mortes em ocorrências com motos.
O Detran-AM também mapeou as infrações mais frequentes cometidas por condutores de motocicletas no estado.
Entre elas, destacam-se: condução sem capacete de segurança (3.704 autuações), uso de calçado inadequado (2.262), transporte de passageiro sem capacete (2.096), condução com descarga livre (914), uso de capacete com viseira irregular (506) e manobras irregulares, como retorno sobre canteiro central (370).
Especialistas citados no Atlas da Violência relacionam o aumento da frota à expansão do crédito e às políticas de incentivo à produção e venda de veículos motorizados.
“Muitas famílias pobres passaram a ter acesso a esse bem, principalmente nos mercados do Norte e do Nordeste, e especialmente às motocicletas, que são veículos mais baratos e acessíveis”, afirmam os autores Carvalho e Guedes (2023), em trecho reproduzido no relatório.
O estudo também destaca a ausência de investimentos proporcionais em infraestrutura urbana como agravante para o alto índice de mortalidade entre motociclistas.
A combinação entre crescimento acelerado da frota, desrespeito às normas de trânsito e fiscalização insuficiente cria um ambiente propício à ocorrência de acidentes graves, muitos deles com desfecho fatal.


