
A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, de 58 anos, venceu o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (10), “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”, segundo o Comitê Norueguês do Nobel.
A política, que tem lutado por eleições livres e um governo representativo, teve a candidatura para as eleições presidenciais de 2024 barrada pelo Supremo Tribunal local e não pôde concorrer. Em 2023, ela foi impedida de exercer cargos públicos na Venezuela por 15 anos por “erros e omissões em suas declarações juramentadas de bens”, segundo a Controladoria-Geral da República do país.
“A Sra. Machado tem sido uma figura-chave e unificadora em uma oposição política que antes era profundamente dividida — uma oposição que encontrou um ponto em comum na reivindicação por eleições livres e um governo representativo. É precisamente isso que está no cerne da democracia: nossa disposição compartilhada de defender os princípios do governo popular, mesmo discordando. Em um momento em que a democracia está ameaçada, é mais importante do que nunca defender esse ponto em comum”.
Para premiação, o vencedor deve cumprir com três critérios estabelecidos no testamento de Alfred Nobel para a seleção de um laureado com o Prêmio da Paz. Segundo o comitê “ela uniu a oposição de seu país. Ela nunca vacilou em resistir à militarização da sociedade venezuelana. Ela tem sido firme em seu apoio a uma transição pacífica para a democracia”.
QUEM É
María Corina Machado é uma engenheira industrial, professora e política venezuelana, amplamente conhecida por sua forte oposição aos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Em 2002, co-fundou a organização não governamental Súmate, que monitora a transparência eleitoral e promove os direitos políticos dos cidadãos. A organização foi uma das promotoras de um referendo revogatório contra o então presidente Hugo Chávez.
Foi eleita para a Assembleia Nacional em 2010 com o maior número de votos. No entanto, foi destituída do cargo em 2014, após se apresentar na Organização dos Estados Americanos (OEA) para denunciar a situação na Venezuela em meio a protestos.
Em junho de 2023, foi inabilitada pela Controladoria-Geral da Venezuela por 15 anos, impedindo-a de ocupar cargos públicos. A decisão ocorreu depois que ela se tornou a líder das primárias da oposição para as eleições presidenciais de 2024.


