
O estado do Amazonas possui 438 obras paralisadas, conforme dados do Painel de Obras do Tribunal de Contas da União (TCU), atualizados em abril de 2025.
Conforme apuração na plataforma, de um total de 734 obras no estado, 59,7% delas, o que representa 438 obras, estão paralisadas no Amazonas.
Nessas obras, o investimento total é de R$ 1,6 bilhão em projetos interrompidos, equivalente a 4,2% de todas as obras no AM. Em comparação ao mesmo período do ano passado, o número de obras paralisadas caiu de 452 para 438, enquanto o quantitativo de obras em execução subiu de 238 para 296 em abril de 2025. Embora o total de obras paralisadas ainda ultrapasse o de obras em andamento, em termos percentuais a diferença diminuiu 5,8% em abril de 2025.
Um dado preocupante, que ultrapassa os valores apresentados anteriormente, é que o maior número de obras paralisadas no Amazonas se concentra no setor de educação básica, com 230 projetos interrompidos. A saúde, um dos pilares da administração pública e dos direitos de cidadania, aparece com 126 obras paralisadas.
Na sequência desses números, os setores de infraestrutura e mobilidade urbana registram 48 obras paralisadas, e o saneamento básico soma 12 paralisações.
Educação básica e obras paralisadas
Na educação básica, por exemplo, a tabela de dados permite identificar a localização das obras paralisadas por município. Alguns empreendimentos aparecem com execução financeira acima de 100%, como é o caso da Quadra Coberta com Vestiários da Escola Municipal Zenith Ramos, em Santo Antônio do Içá, que apresenta execução física de 72,94%. Mesmo com 116,79% da execução financeira e 72,94% da execução física, a obra segue paralisada sem esclarecimento das razões. No painel, a razão de paralisação aparece como “outros”.
Outro exemplo de obra do interior do Amazonas que apresenta mais de 100% da execução financeira é a Escola Municipal Santa Rita, em Barcelos, onde houve execução financeira de 104,85% dos recursos desbloqueados, totalizando R$ 2 milhões. Mesmo assim, a execução física está em 37,79%. Assim como no caso de Santo Antônio do Içá, não há, até o momento, razões claras no sistema do TCU que justifiquem a paralisação da obra. Em Barcelos, conforme o Sistema Integrado de Monitoramento e Controle (Simec), a última vistoria da escola municipal ocorreu em 26 de novembro de 2024.
Por outro lado, a Creche/Pré-Escola MCMV, em Manacapuru, teve sua obra cancelada, apesar de apresentar 100% de execução financeira, com justificativa registrada: abandono da empresa contratada. O valor desbloqueado foi de R$ 1,4 milhão. A vigência do contrato teve início em 2 de dezembro de 2015. Quase uma década depois, a obra, mesmo com 100% da execução financeira, alcançou apenas 81,01% de execução física. A última vistoria, conforme o Simec, ocorreu há mais de 10 anos, em 2015, e o sistema, onde deveriam constar imagens da vistoria, exibe apenas uma área em branco, sem registro de execução.
Ranking Geral
Entre os municípios do Amazonas, o maior número de obras paralisadas está em Autazes, que soma 29 projetos interrompidos em diversos setores, em sua maioria ligados à educação básica. Na sequência do ranking está o município de Coari, a 368 km de Manaus, com 24 obras paralisadas. Empatado, aparece Manacapuru, também com 24 obras.


