Amazonas é o terceiro estado com mais trabalhadores informais, aponta IBGE.

O Amazonas aparece como o terceiro estado do país onde há mais trabalhadores informais do que formais, segundo dados divulgados pelo IBGE.
O quadro reforça uma realidade que se repete em boa parte do Norte e do Nordeste, regiões que lideram os piores índices do mercado de trabalho brasileiro.
Os números fazem parte da Pnad Contínua do 3º trimestre de 2025 e mostram que o Amazonas divide posição com a Bahia e fica atrás apenas do Maranhão, que lidera o ranking com 57%, e do Pará, com 56,5%.
No total, seis estados vivem situação em que a informalidade supera o emprego formal: Maranhão, Pará, Piauí, Amazonas, Bahia e Ceará.
Norte e Nordeste concentram cenário mais grave da informalidade
A média nacional de informalidade é de 37,8%, mas todos os estados do Norte e Nordeste ultrapassam esse patamar. Juntas, as duas regiões concentram 41% de toda a mão de obra informal do país.
A explicação, segundo analistas, passa por fatores estruturais como baixa escolaridade, baixo rendimento e menor diversificação econômica — fatores que empurram milhões para atividades sem registro.
Em números absolutos, o Brasil contabiliza 38,7 milhões de trabalhadores informais e 6,1 milhões de desempregados. Somados, representam 44,8 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho.
O contraste aparece quando se observa estados como São Paulo, Distrito Federal e Santa Catarina, que têm as menores taxas de informalidade, todas abaixo de 30%.
O IBGE lembra ainda que receber benefícios sociais não impede alguém de ser considerado parte da força de trabalho.
Taxa de desocupação, por UF (%) – 2º e 3° trimestre de 2025
| UF | 2T 2025 | 3T 2025 | situação |
|---|---|---|---|
| Pernambuco | 10,4 | 10,0 | → |
| Amapá | 6,9 | 8,7 | → |
| Bahia | 9,1 | 8,5 | → |
| Distrito Federal | 8,7 | 8,0 | → |
| Alagoas | 7,5 | 7,7 | → |
| Sergipe | 8,1 | 7,7 | → |
| Amazonas | 7,7 | 7,6 | → |
| Piauí | 8,5 | 7,5 | → |
| Rio Grande do Norte | 7,5 | 7,5 | → |
| Acre | 7,3 | 7,4 | → |
| Paraíba | 7,0 | 7,0 | → |
| Pará | 6,9 | 6,5 | → |
| Ceará | 6,6 | 6,4 | → |
| Maranhão | 6,6 | 6,1 | → |
| São Paulo | 5,1 | 5,2 | → |
| Roraima | 5,9 | 4,7 | → |
| Goiás | 4,4 | 4,5 | → |
| Minas Gerais | 4,0 | 4,1 | → |
| Rio Grande do Sul | 4,3 | 4,1 | → |
| Paraná | 3,8 | 3,5 | → |
| Mato Grosso do Sul | 2,9 | 2,9 | → |
| Espírito Santo | 3,1 | 2,6 | → |
| Rondônia | 2,3 | 2,6 | → |
| Mato Grosso | 2,8 | 2,3 | → |
| Santa Catarina | 2,2 | 2,3 | → |
| Brasil | 5,8 | 5,6 | ↓ |
| Rio de Janeiro | 8,1 | 7,5 | ↓ |
| Tocantins | 5,3 | 3,8 | ↓ |
Muitos beneficiários conciliam programas como Bolsa Família e BPC com atividades informais, como motoristas de aplicativo, vendedores ambulantes ou trabalhos eventuais — um retrato claro da dificuldade de acesso a empregos formais.
Mesmo com leve recuo nacional em 2025, a informalidade segue sendo um dos maiores desafios do país. No caso do Amazonas, o dado não apenas preocupa: ele evidencia a urgência de políticas que combinem qualificação profissional, desenvolvimento regional e geração de empregos formais para reduzir a dependência histórica da informalidade.


