Profissional chegou ao hospital horas após o chamado de emergência; bebê não resistiu à demora no atendimento, e o caso levou a pedidos de apoio da PF e da Interpol.

O médico Humberto Fuertes Estrada, suspeito de omissão e homicídio qualificado após faltar a um parto e causar morte do recém-nascido, foi preso pela Polícia Federal (PF), em Manaus, nesta sexta-feira (28). Ele chegou ao hospital, localizado no município de Eirunepé, horas após o chamado de emergência e bebê não resistiu à demora no atendimento.
O caso ocorreu no sábado (22). A paciente chegou ao hospital por volta de 4h, mas o médico, que estava de sobreaviso, não respondeu às tentativas de contato da equipe.
Segundo a PF, o médico foi localizado dentro de um supermercado na Zona Norte de Manaus, enquanto utilizava um caixa eletrônico. Os agentes passaram a acompanhar os passos do suspeito e efetuaram a prisão momentos depois, na residência onde ele estava morando, na Avenida Torquato Tapajós.
Após a prisão, Humberto Fuertes foi conduzido para a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas, onde permanece à disposição da Justiça.
Humberto Fuertes Estrada, médico investigado pela morte de um bebê durante o parto em Eirunepé (AM) — Foto: Divulgação
O caso
O profissional de saúde foi afastado do Hospital Regional de Eirunepé Vinícius Conrado foi afastado do Hospital Regional de Eirunepé Vinícius Conrados. pós não comparecer para realizar o parto de uma gestante de 18 anos na madrugada de sábado, o bebê morreu logo após o procedimento.
Sem resposta, a direção do hospital enviou uma ambulância à casa do médico, mas ele não atendeu. A prefeitura também tentou contato, mas também sem retorno.
O médico só chegou ao hospital por volta das 9h, aproximadamente cinco horas após a gestante ter dado entrada. O parto foi realizado, mas já era tarde. Testemunhas afirmam que o bebê teria aspirado fezes e restos de placenta, e morreu cerca de uma hora após o nascimento. O médico foi levado à delegacia do município para prestar esclarecimentos.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Eirunepé declarou que a família da gestante está recebendo assistência e acompanhamento necessários, com apoio multiprofissional da rede de saúde do município. Informa ainda que o profissional está afastado e a Secretaria de Estado de Saúde está acompanhando o caso.
O pai da criança relatou que a adolescente percebeu sinais de que o médico havia ingerido álcool.
Após prestar depoimento na delegacia de Eirunepé, o médico deixou o município no dia seguinte. Documentos mostram que ele seguiu para Envira e, depois, para o Acre. Segundo a Polícia Civil, há suspeita de que ele tenha cruzado a fronteira rumo à Bolívia.


