Médica veterinária é presa por venda e aplicação irregular de Mounjaro.
A Polícia Civil do Amazonas prendeu em Manaus, nesta sexta-feira (9), uma médica veterinária e outras duas mulheres por suspeita de venda e aplicação irregular de medicamentos de uso controlado, como a substância Mounjaro (tiservatida). A prisão ocorreu na Operação Protocolo Paralelo.
Segundo o delegado Rodolfo Sant’Anna, do 18º DIP (Distrito Integrado de Polícia), o esquema funcionava por grupos de WhatsApp em que eram oferecidos medicamentos em seringas com doses de 2,5 miligramas.
Durante a ação, foram cumpridos mandados judiciais de busca e apreensão e de prisão temporária em endereços situados no bairro Novo Israel, zona norte. No local, foram encontrados medicamentos, materiais utilizados para aplicações injetáveis, além de documentos e equipamentos eletrônicos. Todo o material será encaminhado para perícia técnica”, disse o delegado.
“O medicamento em questão era o tiservatida, conhecido como Mounjaro. Investigamos e chegamos à conclusão de que quem prescrevia esses medicamentos injetáveis era uma médica veterinária. Ela colocava o número do CRMV dela, mas na etiqueta aparecia apenas o CRM, e com isso vendia o medicamento já em porções, juntamente com outros injetáveis”, explicou o delegado.
As outras duas mulheres presas aplicavam os medicamentos em clientes, muitas vezes em uma clínica de estética e também em residências, sem qualquer habilitação profissional.
“Uma delas tinha uma loja de estética onde eram aplicados alguns medicamentos. A maior parte estava na residência delas. Agora vamos tentar descobrir de onde adquiriam o medicamento e se ele é verdadeiro, porque já vinha em porções em seringas”, disse Sant’Anna.
A polícia identificou que o grupo atuava há dois meses oferecendo consultas e orientações sobre doses, horários e metas de perda de peso sem qualquer supervisão médica adequada.
“A partir de um grupo de WhatsApp, uma pessoa sem qualquer qualificação dava todas as recomendações. É um medicamento autorizado, desde que com receituário médico, mas aqui as pessoas não sabiam o que estavam tomando nem quais consequências poderia ter para a saúde delas”, disse o delegado.
Foram apreendidas aproximadamente 50 porções de tiservatida, diversos kits chamados de “acelerador” com prescrição da veterinária, seringas, materiais para aplicação, álcool e algodão. Os policiais também encontraram um caderno de contabilidade com pagamentos de clientes que variavam de R$ 700 a R$ 4 mil apenas com os medicamentos.
As suspeitas responderão por exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica, associação criminosa e crimes contra a saúde pública, permanecendo à disposição do Poder Judiciário. “Se houver vítimas, elas podem procurar o 18º DIP para que o caso seja devidamente registrado e investigado”, acrescentou Sant’Anna.
Os nomes não suspeitas não foram divulgados.


