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Cinema nacional: filmes do Amazonas entram na Mostra de Tiradentes

O cinema produzido no Amazonas ganha projeção nacional na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, realizada de 23 a 31 de janeiro de 2026, com programação gratuita. Considerada uma das principais vitrines do cinema brasileiro contemporâneo, a Mostra contará com dois filmes do estado selecionados para diferentes seções, incluindo uma mostra competitiva dedicada a novos realizadores.

Selecionado para a Mostra Competitiva Aurora, o longa “Obeso Mórbido”, de Diego Bauer, revisita a trajetória pessoal do diretor para refletir sobre corpo, identidade e exclusão. Com 93 minutos de duração, o filme confronta as marcas da obesidade que atravessaram sua vida e carreira, expondo as tensões entre experiência individual e construção social do corpo.

A narrativa assume caráter autobiográfico sem recorrer ao tom confessional, apostando em uma abordagem sensorial e reflexiva. O corpo surge como campo simbólico de disputa, em diálogo com temas como estigmatização, masculinidade e violência simbólica. A obra se insere no campo do cinema autoral contemporâneo que utiliza o desconforto como estratégia estética e de reflexão social. A classificação é livre.

Natural de Manaus, Diego Bauer é diretor, roteirista, ator e curador. Seus filmes já circularam por festivais internacionais como o Festival Internacional de Curtas de Oberhausen, Mammoth Lakes Film Festival, além de eventos no Reino Unido, Suécia, Turquia, Índia, Austrália e Irã, e por mais de 20 festivais no Brasil. Atuou e produziu elenco de “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, e é diretor artístico do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte.

Já “Confluência dos Olhos D’Água”, dirigido por Keila-Sankofa, integra a Mostra Praça, seção voltada ao encontro direto com o público. Com 13 minutos, o documentário investiga o encontro entre progresso e ancestralidade, tendo a água como elemento central de manifestação simbólica e política.

O filme parte da aparição da figura Cabeça de Cabeças, que reinscreve presenças negras e indígenas na Amazônia e estabelece conexões com o povo Pankararu, às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo. Mesmo diante de águas paradas e degradadas, a narrativa insiste na pergunta que atravessa o filme: o rio ainda está vivo? A obra articula memória, território e resistência, propondo uma reflexão sobre apagamentos históricos e permanências culturais. A classificação também é livre.

Keila-Sankofa é artista visual e realizadora audiovisual com atuação multidisciplinar em espaços institucionais, urbanos e em festivais de cinema. Desenvolve pesquisas sobre memória, manipulação e ficcionalização como instrumentos de recriação e especulação histórica. Indicada ao Prêmio PIPA em 2021, 2023 e 2024, participou de residências artísticas no Brasil e no exterior e teve trabalhos exibidos em eventos como o International Film Festival Rotterdam, Arte Pará, Itaú Cultural e Festival MUTEK. Suas obras integram acervos da Coleção Amazoniana de Arte da UFPA e do Museu Nacional de Belas Artes.

Mostra de Tiradentes abre o calendário do cinema brasileiro

A Mostra de Cinema de Tiradentes é reconhecida como uma das principais plataformas de lançamento, reflexão e difusão do cinema brasileiro contemporâneo. Em 2026, o evento reúne 137 filmes em pré-estreia, de 23 estados, distribuídos em mostras competitivas e temáticas.

Com o tema “Soberania Imaginativa”, a edição propõe discutir autonomia criativa, diversidade de territórios e a invenção como força central do cinema nacional. Além das exibições, a programação inclui debates, seminários, atividades formativas e encontros com realizadores. A atriz, roteirista e diretora Karine Teles é a homenageada desta edição.

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