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Senegal bate Marrocos na prorrogação e conquista a Copa Africana

A final da Copa Africana de Nações entre Senegal e Marrocos, neste domingo (18), no estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, já reunia elementos suficientes para atrair as atenções do mundo do futebol: as duas melhores seleções do continente na atualidade e estrelas mundiais, como Mané e Hakimi. Mas o roteiro escrito na capital marroquina transcendeu qualquer expectativa: após um pênalti polêmico para os donos da casa, a retirada de campo do time senegalês e uma cavadinha frustrada por um atacante do Real Madrid, Senegal foi campeão ao vencer por 1 a 0, com gol de Papa Gueye, na prorrogação.

Até os acréscimos do segundo tempo da etapa regulamentar, as seleções protagonizavam uma final morna e equilibrada. A partida havia tido apenas uma chance clara de gol para cada lado, nenhuma disputa mais ríspidas, muito menos confusões. O roteiro começou a mudar aos 47 minutos do segundo tempo, quando o o árbitro congolês Jean-Jacques Ndala marcou falta de Seck em Hakimi em lance que terminaria com a bola empurrada para as redes por Sarr, no que poderia ser o gol do título senegalês.

Mas foi aos 52 minutos da segunda etapa que um lance ainda mais polêmico levou a história da partida para outro patamar. O atacante espanhol naturalizado marroquino, Brahim Díaz, do Real Madrid, caiu na pequena área e reclamou com veemência de um suposto puxão de Diouf. Após ser chamado pelo VAR, o árbitro marcou o pênalti.

A decisão revoltou os jogadores de Senegal. Alguns fizeram gestos de que teriam sido prejudicados pela arbitragem. Após orientação do técnico Pape Thiaw, o time se retirou de campo. A confusão durou cerca de dez minutos, até que o capitão Sadio Mané, ex-Liverpool e atualmente no Al-Nassr, foi até o vestiário e convenceu seus companheiros a retornarem ao gramado.

Responsável pela cobrança, Brahím Diaz tinha, no último lance da partida, a chance de virar herói de um título que Marrocos não conquistava a 50 anos, desde 1976. Mas o atacante do Real tratou de dar contornos ainda mais surreais para a decisão. Protagonizou uma “cavadinha”, viu Mendy ficar parado no meio do gol e defender a cobrança, para o choque dos companheiros e dos milhares de marroquinos nas arquibancadas. A revolta passou para o lado marroquino. O técnico Walid Regragui não poupou seu camisa 10 das críticas e, após o apito final, foi até o meio do campo reclamar pessoalmente como jogador.

E, como diz o ditado, “quem não faz, leva”. Ou então, “a bola pune”. O destino da competição foi para o tempo extra e mudou de mãos. Embalados pela defesa do pênalti e a segunda chance na partida e diante de um time marroquino “zonzo”, os senegaleses construíram o gol do título no início do primeiro tempo da prorrogação.

Uma bela jogada coletiva foi concluída com perfeição por Papa Gueye, que acertou o ângulo de Bono em chute de extrema felicidade de fora da área. Minutos depois, Ndiaye ainda perdeu um gol sem goleiro, após ganhar uma dividida com Bono. Era apenas mais um tempero na emocionante final. Marrocos não conseguiu reagir e os jogadores senegaleses puderam extravasar toda a emoção após o apito final.

Foi o segundo título da competição da história de Senegal — o primeiro foi na edição de 2021/2022. Um roteiro que transforma em vilão Brahim Díaz, artilheiro do torneio e até então o melhor jogador da competição, e coroa o capitão Sadio Mané, que pode ter se despedido da competição, como uma das grandes lendas do futebol africano. Uma decisão que entra não só para a história da Copa Africana de Nações, como do futebol.

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