
Em um cenário em que milhares de artistas ainda enfrentam informalidade, falta de acesso a recursos e ausência de políticas de profissionalização, a Associação Intercultural de Hip Hop Urbanos da Amazônia (AIHHUAM) conclui uma iniciativa que muda esse panorama em Manaus.
A Trilha Urbanos da Amazônia: Do Zero ao Empreendedorismo Cultural formou 150 agentes culturais e artistas, a maioria oriunda de territórios periféricos, preparados para transformar arte em trabalho, renda e autonomia profissional.
Mais do que um curso, a Trilha ofereceu 120 horas de formação presencial, distribuídas em seis módulos, abordando gestão cultural, comunicação, formalização, educação financeira e captação de recursos. O objetivo foi claro: romper o ciclo da informalidade cultural e inserir esses profissionais de forma estratégica no mercado da economia criativa.
O encerramento do projeto acontece no dia 9 de fevereiro, às 19h, no Luso Sporting Club, no Centro de Manaus, e marca não apenas a certificação dos participantes, mas a apresentação pública de uma nova geração de empreendedores culturais formados para acessar editais, estruturar projetos e atuar de forma sustentável no setor.
Para o diretor cultural da AIHHUAM, Jander Manauara, a iniciativa responde a uma lacuna histórica nas políticas de formação cultural.
“Durante muito tempo, a cultura foi vista apenas como expressão artística, mas não como trabalho. A Trilha nasce para mudar isso. Estamos falando de pessoas que agora sabem precificar, formalizar, captar recursos e ocupar espaços institucionais. Isso é desenvolvimento social na prática”, afirma.
Além da formação gratuita, os participantes receberam bolsa incentivo de R$ 800, vinculada à frequência e ao engajamento, garantindo condições mínimas de permanência e dedicação ao processo formativo.
A cerimônia de encerramento reunirá formandos de diferentes linguagens culturais, com histórias que refletem o impacto direto do projeto na vida de artistas, produtores e agentes culturais da cidade.
“Cada certificado entregue representará mais do que um papel. Representará acesso, dignidade e a possibilidade real de viver da cultura”, completa Jander Manauara.


