O cinegrafista amazonense Renato Belém Ramos, de 39 anos, foi ferido por estilhaços de um míssil de artilharia do exército russo durante uma ação militar na província de Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia. Ele integra a Legião Internacional de Defesa Territorial, unidade criada pelo governo ucraniano para receber combatentes estrangeiros na guerra contra a Rússia.
Atuando há cerca de seis meses no front ucraniano como soldado conhecido pelo codinome “Mharverek”, Belém relatou que foi atingido enquanto seu grupo se deslocava para uma emboscada contra tropas russas.
“A gente iria esperar uma tropa russa passar para atacar, mas demoramos a chegar porque o front é muito perigoso. No caminho, parávamos nos bunkers, descansávamos e continuávamos. Foram cinco dias até chegar ao ponto onde fomos atingidos”, contou.
O míssil atingiu a equipe, ferindo Belém e outros combatentes. Um soldado estrangeiro que integrava o grupo não resistiu aos ferimentos e morreu. Segundo o amazonense, a tentativa de resgate ocorreu sob intenso risco, em meio a novos bombardeios e à presença de drones russos.
“É uma situação de muito desespero, mas como líder eu tive que manter a calma. Os outros meninos tinham até 19 anos. A pior cena foi precisar levar meu colega cerca de 6 km até o socorro. Ele estava consciente, gritava para ser salvo, mas a artilharia caiu de novo e tivemos que nos esconder dos drones. Tentamos de tudo, mas ele não resistiu”, lamentou.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Renato detalhou os ferimentos sofridos e as condições extremas do combate. “Fui ferido por estilhaços na parte de trás da minha perna, perdi muito sangue, tive uma concussão muito forte e, por causa do frio e da perda de sangue, fiquei muito fraco. A gente sabe que, a qualquer momento, pode perder a vida”, afirmou.
Ele também descreveu o cenário hostil da região, marcada por lama congelada, campos minados e ataques constantes. “As lamas eram muito geladas. A gente pisava achando que era firme e caía. Era muito terror. A gente queria salvar uma vida e, ao mesmo tempo, salvar a nossa”, disse.
De acordo com Belém, esta é a segunda vez que ele é ferido desde que chegou à Ucrânia. Em outra ocasião, sofreu impactos causados por uma granada. Atualmente, ele se recupera em um hospital militar, mas afirma que pretende retornar ao campo de batalha após a recuperação.
Renato Belém serviu o Exército Brasileiro, participou de uma missão de paz da ONU no Haiti, em 2008, e trabalhou como cinegrafista em emissoras como Rede Amazônica, TV Norte (SBT), TV A Crítica e no BNC Amazonas. Ele planeja permanecer na guerra até completar um ano de alistamento, quando pretende retornar ao Brasil para férias.


