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Comércio do Amazonas recua em dezembro, mas fecha 2025 no azul

Queda mensal reflete antecipação de compras, inflação e crédito restrito; resultado anual ainda permanece positivo

O comércio varejista do Amazonas registrou retração em dezembro, mas conseguiu encerrar 2025 com crescimento acumulado. O varejo restrito caiu 3,2% em relação a novembro, mesmo com um dia útil a mais e o movimento típico das festas de fim de ano, anulando o avanço observado no mês anterior.

Na comparação com dezembro de 2024, a queda foi de 1,5%, configurando um dos piores desempenhos do país. Ainda assim, o setor fechou o ano com alta de 0,6%, no resultado mais fraco desde 2021. O varejo ampliado — que inclui bens de maior valor e dependentes de crédito — também apresentou desempenho modesto no período natalino.

No cenário nacional, as vendas do varejo recuaram 0,4% na passagem de novembro para dezembro, pressionadas por seis das oito atividades pesquisadas. O principal impacto negativo veio do segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria.

De acordo com Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, a retração está ligada à antecipação das compras durante a Black Friday, quando parte dos consumidores já adquire itens destinados ao Natal.

Apesar do recuo mensal, as vendas nacionais cresceram 2,3% frente a dezembro de 2024 e fecharam o ano com avanço de 1,6% no varejo ampliado. Entre os estados, o Amazonas ficou na 19ª posição na variação mensal, enquanto Rio de Janeiro apresentou o melhor desempenho e Rondônia, o pior. Na comparação interanual, o estado caiu para o penúltimo lugar, com Amapá e Roraima nos extremos.

A inflação também influenciou os resultados ao ampliar a diferença entre vendas reais e receita nominal, efeito intensificado no Amazonas após crises hídricas e logísticas recentes. Nesse contexto, o faturamento bruto caiu frente a novembro, embora tenha apresentado crescimento na comparação anual e no acumulado do ano.

O varejo ampliado amazonense recuou 3% no mês e 0,4% na comparação anual, mas encerrou 2025 com alta de 1,2%. Mesmo assim, a média nacional mostrou desempenho menos negativo em todas as bases de comparação.

Para a Associação Comercial do Amazonas, o comportamento do setor revela um consumidor mais cauteloso, que adia compras de maior valor e evita novas dívidas. A expectativa é de um primeiro semestre de baixo crescimento ou estagnação, seguido por um segundo semestre marcado por incertezas econômicas e calendário atípico.

Embora pressionado, o comércio amazonense não está em colapso, mas exige cautela, ajustes de custos e medidas de estímulo à economia regional para evitar agravamento do cenário.

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