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Vacinação fortalece saúde e autonomia na terceira idade, apontam especialistas

Reforço vacinal ajuda a prevenir complicações, reduzir internações e ampliar a proteção coletiva entre idosos

O Brasil vive um acelerado processo de transição etária. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o país já soma mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e a tendência é que esse número cresça de forma significativa nas próximas décadas. Diante desse cenário, a vacinação se consolida como uma importante aliada para a promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida na terceira idade, contribuindo para um envelhecimento mais ativo e saudável.  

A médica Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde, explica que, com o envelhecimento, o sistema imunológico tende a apresentar respostas menos eficazes, o que torna ainda mais relevante a adoção de estratégias preventivas ao longo da vida. “As vacinas nesse contexto representam um reforço essencial, reduzindo o risco de infecções e também a chance de internações por complicações e até mesmo óbitos”, afirma.  

Dados do Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de 2025, mostram que influenza A e COVID em 2025 estiveram entre os principais causadores de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em idosos no Brasil.

“A vacinação na terceira idade vai muito além da prevenção direta de doenças infecciosas. Ela reduz internações, colabora para a redução da sobrecarga do sistema de saúde e permite que o idoso envelheça com mais autonomia e segurança”, afirma a especialista. Segundo ela, manter as vacinas em dia é uma medida simples, mas extremamente importante para proteger uma população que vivencia transformações fisiológicas próprias do avanço da idade. 

Entre os imunizantes recomendados para pessoas com 60 anos ou mais, a médica destaca as vacinas contra a gripe (influenza), que deve ser aplicada anualmente, e a vacina pneumocócica, indicada para a prevenção de pneumonias e outras infecções graves, ressaltando também a vacinação contra a covid-19, especialmente para reduzir o risco de desfechos graves.

Outro imunizante importante para esse público é a vacina contra o herpes-zóster, disponível atualmente na rede privada. A doença é causada pela reativação do mesmo vírus da catapora, que pode permanecer latente no organismo por décadas e se manifestar com o envelhecimento ou a queda da imunidade. Além disso, um estudo publicado em 2025 na revista BMC Public Health revelou que pessoas vacinadas contra o herpes-zóster apresentaram menor risco de diagnóstico de demência ao longo do acompanhamento, indicando um possível benefício adicional dessa imunização além da prevenção da própria doença.

Além da proteção direta contra doenças, a vacinação contribui para o controle de surtos e para a proteção coletiva, especialmente em ambientes com elevada densidade de pessoas, como instituições de longa permanência e centros de convivência.  

“Ao se vacinar, o idoso protege não apenas a si mesmo, mas também familiares, cuidadores e a comunidade ao seu redor. Da mesma forma, quando essas pessoas mantêm suas vacinas em dia, também ajudam a reduzir a circulação de vírus e bactérias e protegem os idosos. É um cuidado que tem impacto individual e coletivo”, reforça Sylvia. 

Manter a caderneta de vacinação atualizada deve fazer parte da rotina de cuidados na terceira idade, assim como consultas médicas regulares e exames de monitoramento. “A orientação é que o idoso ou seus familiares busquem avaliação profissional para verificar quais vacinas são indicadas em cada caso, considerando histórico de saúde, comorbidades e possíveis contraindicações”, completa a especialista. 

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