
A Panorando Cia e Produtora estreia neste sábado, dia 21 de fevereiro de 2026, às 18h, o espetáculo “Aboio – O Auto do Boi Cansado”, em apresentação única e gratuita no Jardim do Palácio Rio Negro, em Manaus. A montagem mescla dança, teatro e mascaramento em uma criação que dialoga com manifestações da cultura popular brasileira para refletir sobre trabalho, repetição e resistência simbólica.
Consolidada como um dos coletivos artísticos da nova geração em destaque no país, a Panorando vem ampliando sua presença no cenário nacional com participações em festivais e temporadas em importantes centros culturais brasileiros. Em 2024, o grupo recebeu o 34º Prêmio Shell de Teatro, na categoria Destaque Nacional, pelo espetáculo “As Cores da América Latina”, reforçando sua trajetória de pesquisa e criação autoral.
Inspirado na figura do Boi no imaginário brasileiro, “Aboio – O Auto do Boi Cansado” apresenta a história de um personagem que, exausto do ciclo contínuo de festas e ritos, decide interromper sua jornada e tirar férias. Sua ausência desestrutura a celebração e desencadeia um movimento coletivo que exige seu retorno. A narrativa investiga o Boi como corpo simbólico entre festa, sacrifício e repetição, tensionando a relação entre trabalho, identidade e sobrevivência.
A criação parte de uma pesquisa iniciada em 2024, com viagens de campo a diferentes territórios culturais do país, como São Luiz (MA), Recife (PE) e Parintins (AM), aprofundando o contato com manifestações populares e seus modos de celebração. O espetáculo incorpora referências como Boi-Bumbá, Bumba-meu-Boi, Boi Falô e Vaquejada, dialogando com tradições diversas sem abandonar a linguagem contemporânea do grupo.
Outro destaque da montagem é a ocupação de espaços alternativos, característica recorrente nas criações da Panorando. A estreia acontece no Jardim do Palácio Rio Negro, ambiente que amplia a dimensão visual e poética da obra. As máscaras cênicas confeccionadas pelo próprio coletivo a partir de materiais como papel, linhas e couro assumem papel central na dramaturgia, reforçando o mascaramento como elemento estético e simbólico.


