
O meia Philippe Coutinho comunicou ao Vasco a sua intenção de rescindir contrato. O comunicado foi feito pelo estafe do jogador, de 33 anos, diretamente ao presidente Pedrinho. A direção vascaína foi pega de surpresa. Coutinho também ligou para Fernando Diniz para informar a intenção de rescindir o seu contrato. O técnico tentou fazer com o que meia mudasse de ideia, porém, sem sucesso.
O Vasco, inclusive, já havia iniciado conversas para renovar o contrato com o camisa 10, que tem vínculo com o clube carioca somente até junho deste ano. As tratativas já estavam em andamento com o departamento de futebol para ampliar o vínculo, pelo menos, até o fim do ano.
A percepção interna da decisão de Coutinho de deixar o clube não tem a ver com ambiente de trabalho, mas com o acúmulo de críticas recebidas nos últimos tempos. Na última semana, contra o Volta Redonda, o atleta foi vaiado pela primeira vez em São Januário e recebeu apoio de Diniz. Pessoas ligadas ao jogador e ao clube garantem que o meia tem um bom relacionamento com a comissão técnica de Diniz e com o restante do grupo.
Vaiado e xingado pela torcida no fim do primeiro tempo, Coutinho chorou no vestiário durante o intervalo. Substituído, ele não voltou para ficar no banco no segundo tempo. Apesar da carga emocional do jogo contra o Volta Redonda, a decisão da rescisão não foi tomada apenas por causa daquela partida. Em novembro do ano passado, Diniz revelou que Coutinho havia pensado em parar de jogar futebol. O treinador citou o trabalho que fez com jovens como John Kennedy e Rayan e afirmou que até jogadores mais experientes precisam de ajuda.
O meia explicou nas redes sociais os motivos do seu pedido para sair do Vasco. O jogador afirmou que está muito cansado mentalmente e entendeu que o ciclo no clube encerrou após a partida contra o Volta Redonda, no último sábado (14). Ele também disse que não voltou após o intervalo naquela partida para priorizar a saúde mental.
— Eu pensei muito antes de escrever aqui. Pensei mesmo. Mas, pelo respeito, pelo carinho e pelo amor que eu tenho por vocês e por esse clube, eu senti que precisava vir aqui e falar de coração aberto. Eu escolhi voltar para o Vasco porque eu amo esse clube. Amo tudo que o Vasco representa na minha vida. Vestir essa camisa foi uma das escolhas mais importantes que eu já fiz. E, em cada treino, em cada jogo, eu dei o meu melhor. Sempre! Nunca faltou entrega, nunca faltou vontade e comprometimento. Ser julgado por inúmeras pessoas por algo que não faz parte do meu caráter é difícil demais — disse o meia, em nota nas redes sociais.
— Eu jamais desrespeitaria a torcida, meus companheiros e o Vasco. Nunca fiz isso em lugar nenhum por onde passei. Quem me conhece sabe disso. Naquele momento, na ida para o vestiário, eu senti e percebi que meu ciclo no clube tinha acabado, e eu não voltei para priorizar minha saúde mental. Isso dói muito. A verdade é que estou muito cansado mentalmente. Sempre fui muito reservado, então falar isso aqui não é fácil, mas eu preciso ser honesto. Minha relação com o Vasco é de amor. E vai continuar sendo para sempre. Com o coração apertado, eu entendo que agora seja o momento de dar um passo para trás e encerrar esse ciclo no Vasco. Eu sou grato por tudo que vivi aqui.
— Vou levar o Vasco comigo para sempre. No peito. Na história. Na vida. De coração… Obrigado por tudo.


