Segundo a denúncia, ‘Colômbia’ tem envolvimento com o tráfico de drogas, pesca ilegal e uso de documentos falsos.

Rubén Dario da Silva Villar, o ‘Colômbia’, um dos acusados pelos assassinatos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo Pereira, permaneceu em silêncio na audiência de instrução do processo que apura o crime, realizada na Vara Única da Subseção Judiciária de Tabatinga, nos dias 9 e 10 de fevereiro.
A informação foi divulgada nesta semana pela Justiça Federal do Amazonas. O ato estava previsto para perdurar até sexta-feira, caso necessário. No primeiro dia, 10 testemunhas foram ouvidas — quatro pela manhã e as demais à tarde. Já no dia 10, três, das quatro oitivas previstas aconteceram. Apenas uma testemunha não pôde prestar depoimento por motivos de saúde.
‘Colômbia’ e Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”, são acusados de envolvimento no crime, junto com outros oito réus. Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição na Amazônia, no território que engloba os municípios de Guajará e Atalaia do Norte.
Eles foram vistos pela última vez em 5 de junho de 2022, quando passavam em uma embarcação pela comunidade de São Rafael. De lá, seguiriam para o munícipio de Atalaia do Norte, mas foram mortos.
‘Pelado’ é apontado como o autor dos disparos que mataram Bruno e Dom, enquanto ‘Colômbia’ é acusado de ter mandado executar o crime devido às fiscalizações realizadas por Bruno Pereira na região. Os dois estão presos em presídios federais e deverão participar da audiência por videoconferência.
‘Colômbia’ é apontado como líder do grupo que atuava com a pesca ilegal na Terra Indígena Vale do Javari e tráfico de munição. A acusação sustenta ainda que o assassinato de Bruno e Dom foi motivado pelas ações de fiscalização ambiental realizadas pelo indigenista, que prejudicavam os interesses econômicos do grupo criminoso.
Segundo a denúncia, ‘Colômbia’ tem envolvimento com o tráfico de drogas, pesca ilegal e uso de documentos falsos. Em 1º de novembro de 2024, ele foi indiciado pela Polícia Federal (PF) como mandante do crime.
Segundo a investigação, ‘Colômbia’ forneceu cartuchos para a execução do crime, patrocinou financeiramente as atividades da organização criminosa e interveio para coordenar a ocultação dos cadáveres das vítimas. A PF confirmou que os assassinatos ocorreram devido às fiscalizações realizadas por Bruno Pereira na região.
Apesar do apelido ‘Colômbia’, ele tem nacionalidade peruana e foi preso em flagrante por uso de documento falso ao comparecer à sede da PF, em Tabatinga, em 8 de junho de 2022. Ele alegava não ter envolvimento com as mortes do indigenista e do jornalista.
No decorrer das investigações, as autoridades constataram que ‘Colômbia’ é suspeito de chefiar uma quadrilha de pesca ilegal em áreas da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, e de ter envolvimento com tráfico de drogas. A região fica na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
Segundo a PF, o traficante pagava despesas de pescadores que atuam ilegalmente em áreas indígenas. Quadrilhas lideradas por ele também escondiam cocaína em carregamentos de pescado, constatou a PF.


