
A Polícia Civil do Amazonas realiza nesta sexta-feira (20) uma grande operação em Manaus e no interior do estado para o cumprimento de mandados de busca e apreensão que tem como alvo o núcleo político da facção criminosa Comando Vermelho com influência e acesso nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no estado. Cerca de 14 pessoas foram presas – oito na capital amazonense – entre policiais e assessores parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), da Câmara de Vereadores de Manaus (CMM) e um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam).
Segundo as investigações o grupo atuava no tráfico de drogas vindas da Colômbia, lavagem de dinheiro em outros estados como São Paulo, Maranhão, Minas Gerais e Ceará. A ação visa alvos que movimentaram cerca de R$ 70 milhões nos últimos anos.
Os presos foram levados para o 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no Centro de Manaus. Entre os presos estão a advogada e investigadora da Polícia Civil, Anabela Cardoso, que até o início deste ano tinha uma função administrativa na Prefeitura de Manaus.
O Advogado Marcos Choe está no 24º DIP fazendo a defesa da servidora municipal. O delegado responsável pela investigação, Marcelo Martins, deu uma entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira. Disse que nas investigações descobriu que o tráfico tinha tentáculos dentro das repartições públicas e identificou altos valores de servidores que atuavam dando informações sigilososas para o crimes organizado.
“Nos cumprimos 13 mandados de prisão de um total de 24 e apreendemos veículos. As drogas eram obtidas em Tabatinga. Foram identificadas pessoas que trabalhavam nos poderes Executivo, Legislativo e Juduiciário do Amazonas. Já obtivemos várias provas nas buscas de hoje e nos vamos preosseguir com a operação. Depois nós vamos publicar uma lista com nomes de todos os envolvidos com cargos chaves e ligados com o crime organizado. O líder da organização criminosa conseguiiu fugir as 3h da madrugada de hoje em São Paulo”, afirmou o delegado.
De acordo com a apuração policial, Anabela teria movimentado aproximadamente R$ 1,5 milhão em favor do CV por meio de empresas de fachada. O relatório do Coaf apontou duas movimentações transacionais entre ela o o chefe da organização por meio de uma possível empresa de viagem fantasma.
A Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Além das prisões, foram autorizadas medidas de bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário dos investigados.
As ordens judiciais são cumpridas em Manaus e em outras cidades: Belém e Ananindeua, Belo Horizonte, Fortaleza, Teresina, e Estreito, no Maranhão. A operação mobiliza equipes policiais em diferentes regiões do país.
Segundo a Polícia Civil, o CV teria movimentado cerca de R$ 70 milhões ao longo de sete anos, o que representa uma média aproximada de R$ 9 milhões por ano desde 2018. O grupo atuaria em articulação com traficantes do Amazonas e de outros estados, consolidando uma rede interestadual de atuação.
As investigações indicam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Essas empresas seriam utilizadas para adquirir drogas na Colômbia e transportá-las até Manaus. A partir da capital amazonense, os entorpecentes seriam redistribuídos para outros estados.
Crimes
Os investigados responderão por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A operação apura a possível infiltração de organizações criminosas em estruturas públicas no estado, com foco na identificação de vínculos políticos e financeiros que teriam dado suporte às atividades ilícitas.
A ação, batizada de Operação Erga Omnes, expressão em latim que significa “contra todos”, é coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no Centro de Manaus, e ainda está em andamento.
Confira os nomes e as funções dos investigados:
Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas; motorista da desembargadora Nélia Caminha
Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;
Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema;
Ronilson Xisto Jordão – preso no município de Itacoatiara.


