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Recomeço: parceria promove 40 vagas de emprego no Amazonas

Um programa considerado inovador de inserção social vem criando oportunidades de trabalho para reeducandos do sistema prisional do Amazonas por meio de uma parceria entre o Estado e a iniciativa privada.

O projeto prevê a oferta de até 40 vagas para internos do regime semiaberto, com jornada de trabalho de até oito horas diárias e 40 horas semanais, respeitando o descanso aos domingos e feriados. Além de promover a reintegração social, a iniciativa também contribui para reduzir o déficit de mão de obra na construção civil, unindo responsabilidade social e atendimento a uma demanda crescente do setor.

Com foco na reintegração social, geração de renda e remição de pena por meio do trabalho formal na construção civil, a cooperação foi formalizada pelo Acordo de Cooperação nº 07 de 2025 e por um Plano de Trabalho com vigência de 12 meses. As atividades incluem serviços gerais, apoio à construção civil, carga e descarga de materiais, preparo e limpeza de canteiros de obras, além de funções como ajudante, impermeabilização e rejunte.

Atualmente, cinco reeducandos já estão atuando nos canteiros de obras da empresa e outros mais de 20 já foram considerados aptos para iniciar as atividades nos próximos meses.

O processo de seleção é conduzido pelos órgãos públicos parceiros, enquanto a MRV acompanha o desempenho e promove a integração dos trabalhadores ao ambiente de obra. A avaliação tem sido tão positiva que engenheiros responsáveis pelas obras reconheceram o excelente desempenho de dois reeducandos e manifestaram interesse em efetivá-los em regime CLT, como forma de valorizar o comprometimento e a qualidade do trabalho apresentado.

O gestor de obras da MRV no Amazonas, Anderson Pires, destaca que a parceria vai além da execução dos serviços e tem impacto direto na vida dessas pessoas e no próprio setor. “Nós já estamos com cinco reeducandos no sistema semiaberto trabalhando e estamos avançando para chegar a 29. Eles atuam em serviços gerais, como ajudante, carregando material, e alguns já desenvolvem habilidades em rejunte e impermeabilização. A adaptação deles tem sido muito positiva. Além de contribuir com a ressocialização, o programa também nos ajuda a enfrentar o déficit de mão de obra na construção civil”, afirmou.

De acordo com Anderson, a empresa arca com todos os custos previstos no acordo. “A gente paga um custo para o fundo penitenciário, que inclui um salário mínimo, vale-transporte, refeição e todos os equipamentos de proteção individual. É um modelo organizado, transparente e que funciona bem para todos os envolvidos”, explicou.

A gestão do programa é dividida entre os parceiros públicos. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária é responsável pela política penitenciária e pela seleção dos reeducandos, enquanto o Fundo Penitenciário do Estado do Amazonas faz a gestão financeira e administrativa dos recursos. “Nós fechamos contrato com dois parceiros públicos. A Secretaria cuida da política penitenciária e o fundo faz a gestão dos reeducandos e dos pagamentos. Toda a parte financeira é feita para o fundo, que conduz esse processo”, detalhou Anderson Pires.

Além de garantir remuneração equivalente a um salário mínimo, os reeducandos têm direito a contribuição previdenciária, vale-transporte, alimentação e condições adequadas de segurança no trabalho. Para os envolvidos, o programa representa não apenas uma oportunidade de trabalho, mas uma chance concreta de reconstrução de trajetórias, de fortalecimento da ressocialização e de retorno mais digno à sociedade.

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