
O palco do Teatro Amazonas recebe, nos dias 14 e 15 de março, o espetáculo ‘Três Mulheres Altas’. A montagem, que rendeu o Prêmio Pulitzer ao autor Edward Albee, inicia sua segunda grande turnê nacional após acumular mais de 90 mil espectadores em 19 cidades brasileiras. Em cena, as atrizes Ana Rosa, Helena Ranaldi e Fernanda Nobre dão vida a três personagens batizadas apenas como A, B e C, representando diferentes fases da vida.
Um acerto de contas entre gerações
Com direção de Fernando Philbert, a peça apresenta uma comédia mordaz que reflete sobre o envelhecimento e a inexorável passagem do tempo. Em cena, as atrizes Ana Rosa, Helena Ranaldi e Fernanda Nobre dão vida a três personagens batizadas apenas como A, B e C, representando diferentes fases da vida:
A (Ana Rosa): Uma mulher com mais de 90 anos que, em meio à doença, embaralha memórias ao repassar sua trajetória.
B (Helena Ranaldi): Uma espécie de cuidadora ou dama de companhia de 50 anos que lida com a maturidade.
C (Fernanda Nobre): Uma jovem advogada responsável por administrar os bens da idosa, representando o vigor e o pragmatismo da juventude.
Segundo o diretor Fernando Philbert, o texto de Albee convida o público a rir de si mesmo enquanto questiona o que estamos fazendo com o tempo que nos resta. A atual montagem atualiza temas como sexo, casamento e as pressões do machismo sob uma ótica contemporânea das questões femininas.
Sucesso de público e crítica
No seu quinto ano consecutivo em cartaz, a produção da Arte Estúdio Entretenimento já recebeu indicações a premiações prestigiadas, como os prêmios Cesgranrio, Bibi Ferreira e Cenym.
Além de Manaus, a turnê percorrerá outras dez cidades brasileiras, incluindo João Pessoa, Maceió, Aracaju, Salvador, Goiânia, Belo Horizonte, Uberaba, Porto Alegre, Cuiabá e Vitória. O espetáculo é apresentado pela Bradesco Seguros e viabilizado por meio da Lei Rouanet.
A trajetória de um clássico instantâneo
Escrita em 1991 e lançada em 1994, ‘Três Mulheres Altas’ representou uma virada na trajetória de Edward Albee, que recebeu as suas melhores críticas e viu renascer o interesse por sua obra. Aos 60 anos, ele ganhou o terceiro Prêmio Pulitzer, além de dois Tony Awards e uma série de outros troféus em premiações mundo afora.
A peça tem características autobiográficas e foi escrita pouquíssimo tempo depois da morte da mãe adotiva do autor, que teria inspirado a personagem mais velha. Após abandoná-la aos 18 anos, Albee voltou a ter contato com a mãe em seus últimos dias, quando já estava doente de Alzheimer. No entanto, alguns especialistas em sua obra defendem que a peça não pode ser reduzida a este fato.
‘Três Mulheres Altas’ vai além de ser um retrato de sua mãe. O texto traz o olhar mordaz e perverso – por que não dizer cômico – de Albee para a classe média alta americana e toda a sua hipocrisia, ao falar sobre status, sucesso, sexo e abordar a visão preconceituosa da sociedade e as relações que as três mulheres travam com o mundo, sempre atravessadas pelo filtro machista.
‘Três Mulheres Altas’ estreou na Broadway em 1994, no Vineyard Theatre, e no mesmo ano chegou ao West End, em Londres, no Wyndham’s Theatre, além de iniciar uma turnê pelos Estados Unidos com a montagem americana e render versões na Espanha (‘Tres mujeres altas’) e Portugal. Em 2018, o texto foi remontado na Broadway, com direção de Joe Mantello (‘Wicked’, ‘Take me out’, ‘Assassins’) e estrelado por Glenda Jackson, Laurie Metcalf e Alison Pill. No Brasil, a peça foi dirigida por José Possi Neto, em 1995, e recebeu os prêmios APCA e Mambembe de Melhor Espetáculo.
Sobre Edward Albee
Edward Albee morreu em 2016 aos 88 anos e deixou um imenso legado para o teatro americano com suas 25 peças encenadas e publicadas. Autor de clássicos como ‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf?’, ‘Zoo Story’, ‘Equilíbrio Delicado’ e ‘Três Mulheres Altas’, ele recebeu três vezes o Prêmio Pulitzer. Seus textos são marcados por um olhar sarcástico e por uma crítica intensa às convenções e hipocrisias da sociedade tradicional.
Nascido em 1928, ele foi adotado por Reed e Frances Albee, um casal de milionários dono de uma cadeia de teatros na época. Ele cresceu em um bairro de classe média alta cercado dos tipos que iria retratar em seus espetáculos anos mais tarde. Em torno dos 20 anos, sai da casa dos pais definitivamente para viver em Nova York e inicia a sua produção literária.
Em 1957, ao escrever ‘The Zoo Story’, peça de um ato que ecoava o teatro de Samuel Beckett, Jean Genet e Harold Pinter, Albee encontra a consagração inicial de sua exitosa carreira teatral. Em 1962, estreia ‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf’, que o levaria ao auge da fama.
Nos anos 90, ‘Três Mulheres Altas’ marca seu retorno ao centro das atenções do cenário teatral nesta que é talvez a mais pessoal e autobiográfica de suas peças.
“A estreia mundial de “Três Mulheres Altas” aconteceu no Teatro Inglês de Viena, Franz Schafranek, Produtor, junho de 1991.
A primeira produção americana foi da River Arts, Woodstock, Nova York, Lawrence Sacharow, diretor de teatro.
A peça teve sua estreia em Nova York no Vineyard Theatre. Elizabeth I. McCann, Jeffrey Ash, Daryl Roth em associação com Leavitt/Fox/Mages apresentaram a produção do Teatro Vineyard no setor Off-Broadway no Teattro Promenade em Nova York.


