Um das figuras ícones do boi bumbá amazonense, Arlindo Jr., o “Pop da Selva”, morreu na noite deste domingo (29), na Clínica Samel, no Centro de Manaus. Ele tinha 51 anos e lutava contra um câncer, que começou no pulmão e atingiu o cérebro.
Arlindo foi internado na manhã de domingo com quadro gravíssimo e desenganado pelos médicos no início da noite. Há cerca de dois anos ele descobriu um câncer, que já se transformava em metástase. Passou por vários procedimentos em São Paulo e retornou a Manaus onde continuou o tratamento.
Até o momento familiares e amigos definem onde será realizado o velório e sepultamento do ídolo do Boi Caprichoso. Ele disse que gostaria de ser velado no Paço Municipal.
A trajetória do ídolo
A história do cantor, apresentador e levantador de toadas Arlindo Júnior está diretamente ligada ao Boi Caprichoso. Conhecido como o “Pop da Selva”, foi nos anos 90 que ele esteve mais envolvido no bumbá. O Pop da Selva deixou o posto em abril de 2015.
A carreira artística teve início após um concurso de calouro. “Tudo começou com uma brincadeira. Eu era comerciário, trabalhava numa financeira quando, num almoço, vi a movimentação, fui até o teatro e vi o pessoal cantando lá. o Zezinho [Corrêa] era quem organizava o show de calouros. Assisti duas vezes, dois dias seguidos, aí, criei coragem e pedi pra cantar”, relembra ele, que tirou 2º lugar no concurso, sem nunca ter se apresentado
Em 1988, o cantor montou um grupo de pagode chamado “Levanta Poeira”, mas que não conhecia boi-bumbá até então. “Sempre fui envolvido no folclore, mas dançando quadrilha, ciranda, escolas de samba. Em uma das noites em que eu tava cantando em um clube de Parintins, chegou a turma do Caprichoso me convidando para participar do primeiro disco do boi. A maioria do pessoal do Levanta Poeira era do azul e branco”, frisa.
Arlindo aceitou o desafio do bumbá e não parou mais. Em 89, ele foi convidado para ser o levantador de toadas do Caprichoso. “Me apaixonei pela torcida, a torcida se apaixonou por mim e começou essa grande carreira que dura até hoje”, enfatiza ele, que retornou a Manaus em 92 para participar do “Movimento Marujada”. “Só era eu de cantor, aí fui convidando outros colegas, como Carlinhos do Boi, Paulinho Faria e o David Assayag. Tudo que tenho e ganhei na vida foi graças ao boi”, disse o cantor na ocasião.


