
Em Manaus, apenas 13% de crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches, segundo dados do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional). O índice está muito abaixo da meta do PNE (Plano Nacional de Educação), que prevê ao menos 50% de atendimento para essa faixa etária.
Embora não seja obrigatória nessa faixa etária, a educação infantil para crianças de 0 a 3 anos integra a política de expansão prevista no PNE e é considerada fundamental para o desenvolvimento na primeira infância.
De acordo com os dados, com base no Censo Escolar, a capital amazonense possui 9.220 matrículas em creches. O Censo Demográfico de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que o município tem 121.489 crianças de 0 a 3 anos. Com isso, estima-se que cerca de 112 mil crianças estejam fora da educação infantil.
Pré-escola
Entre crianças de 4 e 5 anos, a taxa de matrícula em Manaus chega a 80%, ainda abaixo do mínimo considerado adequado, de 90%. O IBGE registra que há 64.532 crianças nessa faixa etária na capital, enquanto 43.519 estão matriculadas na pré-escola, cerca de 21 mil ainda fora do sistema.
Comparação com outras capitais
No comparativo com outras capitais da Região Norte, Manaus aparece entre os piores índices de atendimento em creches. A capital fica atrás de Belém (21%), Porto Velho (17%), Rio Branco (26%) e Palmas (35%), e à frente apenas de Macapá, que registra 9%.
No grupo de 4 a 5 anos, Manaus (80%) também fica abaixo de Rio Branco (86%), Porto Velho (82%) e Palmas (91%), mas supera Belém (78%) e Macapá (71%).
No cenário nacional das capitais, Manaus aparece como a segunda pior taxa de atendimento para crianças de até 3 anos, com 13%, empatada com Porto Velho (16,9%) e à frente apenas de Macapá (9,1%).
Infraestrutura ainda é desafio
Os dados também mostram fragilidades na estrutura das unidades de ensino infantil em Manaus. Apenas 4% das instituições possuem infraestrutura básica completa. A Semed (Secretaria Municipal de Educação de Manaus) conta com 29 creches, distribuídas em todas as Divisões Distritais Zonais da cidade.
Apesar de 98% das unidades terem acesso à internet, apenas 29% contam com água da rede pública. Por outro lado, 84% possuem coleta de lixo e 74% têm algum nível de acessibilidade.
Na estrutura pedagógica, apenas 30% das unidades têm biblioteca ou sala de leitura, e apenas 5% contam com parque infantil. Materiais para atividades artísticas estão presentes em 24% das escolas, enquanto jogos e brinquedos pedagógicos aparecem em 76%.
Outro problema é a lotação: 39% das creches municipais operam acima do número considerado adequado de alunos por professor.
Piores índices
A Região Norte concentra os piores indicadores de educação infantil no país. Segundo o levantamento, 94% dos municípios da região têm cobertura inferior a 60% para crianças de 0 a 3 anos.
Conforme o estudo, 29% dos municípios nortistas têm menos de 90% das crianças de 4 e 5 anos matriculadas, evidenciando um déficit generalizado no acesso à educação básica.
No país, capitais como São Paulo (72,9%), Vitória (66,7%) e Belo Horizonte (63%) apresentam os melhores índices de atendimento em creches, todos acima da meta do PNE.


