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Casos de câncer avançam no Brasil:entenda como a doença surge

Estimativa aponta 781 mil novos diagnósticos anuais entre 2026 e 2028, segundo o Inca

Foto: Felipe Queiroz

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. A projeção reforça que a doença vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, aproximando-se das doenças cardiovasculares.

Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%). Entre as mulheres, predominam os cânceres de mama (30%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%). O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente em ambos os sexos, sendo apresentado separadamente devido à sua alta incidência e, em geral, baixa letalidade, conforme o Inca.

Diante desse cenário, é natural que surjam dúvidas sobre o que, de fato, é o câncer e como ele se desenvolve. De forma simplificada e amplamente utilizada, o câncer pode ser definido como uma doença em que as células passam a crescer e se multiplicar de maneira descontrolada.

No organismo, sinais químicos regulam o crescimento, a divisão e a morte das células. Quando elas se tornam danificadas ou envelhecidas, são naturalmente eliminadas, sendo substituídas por células novas e saudáveis, mantendo o equilíbrio do corpo.

No câncer, esse sistema de controle deixa de funcionar corretamente. Como resultado, células anormais continuam se multiplicando mesmo quando deveriam parar e não sofrem morte programada (apoptose), podendo invadir tecidos e comprometer o funcionamento adequado dos órgãos.

Como definir o câncer

Diversos tipos de câncer formam massas ou aglomerados de células, originando os chamados tumores sólidos. Por outro lado, existem neoplasias que não formam tumores, como as leucemias, que acometem células do sangue e da medula óssea.

À medida que os tumores sólidos crescem, algumas células podem se desprender e migrar para outras partes do corpo por meio da corrente sanguínea ou do sistema linfático. Esse processo é denominado metástase e representa uma das principais características dos tumores malignos. Um exemplo é a progressão do câncer de mama, cujos estágios são definidos de acordo com o tamanho do tumor e a presença ou não de disseminação para outros órgãos.

A transformação de uma célula normal em uma célula cancerígena ocorre de forma gradual, por meio do acúmulo de alterações no DNA. Essas mudanças podem ser provocadas por diversos fatores, como predisposição genética e exposição a agentes carcinogênicos, incluindo radiação, amianto, vírus, bactérias e parasitas.

Mortalidade

A mortalidade por câncer na América Latina e no Caribe deve aumentar cerca de 98,5% até 2050, segundo projeções da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde.

Em nível global, o aumento estimado é de aproximadamente 85% até 2050, em comparação a 2022, passando de cerca de 10 milhões de mortes anuais para aproximadamente 18,5 milhões. As projeções também indicam que, se as tendências atuais forem mantidas, o número de casos e mortes por câncer de mama poderá crescer cerca de 40% até 2050.

Prevenção, fatores de risco e diagnóstico precoce

Nesse contexto, a prevenção assume papel fundamental. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, ela envolve tanto a adoção de hábitos de vida saudáveis quanto a realização de exames que permitam o diagnóstico precoce da doença. O Instituto Nacional de Câncer ressalta que, quando o câncer é identificado em estágios iniciais, as chances de cura são maiores, além de possibilitar tratamentos menos agressivos e melhor qualidade de vida ao paciente.

No caso do câncer de mama, a mamografia é o principal exame de rastreamento. O autoexame das mamas pode ajudar no reconhecimento do próprio corpo, mas não substitui os exames de imagem. Já o exame ginecológico Papanicolau é fundamental para a detecção precoce de alterações que podem levar ao câncer de colo do útero, enquanto a vacinação contra o HPV atua na prevenção da doença.

O rastreamento do câncer colorretal pode ser realizado por meio de exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, que permitem identificar lesões precursoras e tumores em fases iniciais. Já para o câncer de pulmão, o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose pode ser indicado para pessoas com alto risco, especialmente fumantes ou ex-fumantes, conforme avaliação médica.

O rastreamento do câncer de próstata deve ser individualizado, geralmente baseado na avaliação médica e podendo incluir a dosagem do PSA no sangue e o toque retal. Para o câncer de pele, o uso regular de protetor solar e evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade são medidas importantes de prevenção.

A adoção de um estilo de vida saudável também desempenha papel essencial. Isso inclui manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo, reduzir o consumo de álcool e manter o peso corporal adequado.

De acordo com o Inca, o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão e está associado a diversos outros tipos de câncer, incluindo os de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, pâncreas e fígado.

Embora o diagnóstico de câncer possa gerar medo, muitos casos, especialmente quando identificados precocemente, têm potencial de tratamento e cura. No câncer de pulmão, por exemplo, as chances são significativamente maiores quando a doença é detectada em estágios iniciais. Por isso, é fundamental procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes, como tosse prolongada, dor no peito e falta de ar.

Existem fatores de risco que não podem ser modificados, como envelhecimento, histórico familiar e mutações genéticas herdadas. No entanto, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, cerca de um terço dos casos de câncer poderia ser prevenido com a redução da exposição aos principais fatores de risco.

Dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer indicam que, em 2020, foram registrados cerca de 740 mil casos de câncer no mundo diretamente associados ao consumo de álcool, reforçando a importância da conscientização sobre esse fator de risco, mesmo em níveis considerados baixos de ingestão.

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