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PMs agiotas tomavam imóveis, atiravam em vítimas, usavam cárcere privado

Dois policiais militares do Amazonas foram presos nesta quarta-feira (20), em Santa Catarina, durante a operação “Covil de Mamon”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas contra organizações criminosas investigadas por agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.

Cinco pessoas investigadas como líderes das organizações – três de um grupo e duas de outro – também foram detidas. Foram presos 20 investigados em quatro estados.

Os cabos, que estavam suspensos das funções e respondem a processo criminal, deixaram o Amazonas sem autorização judicial. Segundo o Major André Oliveira, diretor de comunicação social da PM, eles foram localizados pela Polícia Civil atarinense. Os dois são investigados como responsáveis pelo núcleo financeiro do esquema de agiotagem. Eles eram encarregados, na prática, da lavagem do dinheiro obtido ilegalmente.

As investigações apontam que as organizações atuavam com empréstimos ilegais e cobrança de juros abusivos. De acordo com a polícia, vítimas que não conseguiam pagar as dívidas eram submetidas a ameaças e cobranças violentas.

Os grupos também são investigados por homicídios, tortura, sequestro, cárcere privado e lavagem de dinheiro. Os presos no Amazonas foram encaminhados para a sede da Delegacia Geral da Polícia Civil, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus.

Segundo o major Andrey Oliveira, diretor de comunicação da PMAM, os policiais militares presos já respondiam a processos criminais e estavam afastados das funções.

Extrema violência

A investigação revelou um esquema de empréstimos a juros abusivos que rapidamente transformavam dívidas pequenas em valores impagáveis. “De R$ 150, nós temos um exemplo que chegou a R$ 45 mil de cobrança. Nós temos exemplos de cobranças de mais de R$ 250 mil a partir de empréstimos de menos de R$ 500”, afirmou o delegado Fernando Bezerra. Em outro caso, a dívida foi superior a R$ 400 mil.

As cobranças eram feitas com extrema violência. “Nós temos o caso de uma senhora que foi fuzilada — ela não chegou a morrer porque ela recebeu três tiros, mas teve atendimento médico —, porém, foi fuzilada por uma dessas organizações criminosas”, relatou Fernando Bezerra. Outras vítimas também tiveram apartamento e carro tomados pelo grupo.

Um dos casos envolveu uma mulher mantida em cárcere privado por dez dias. “Há nos autos da investigação indícios de alta probabilidade de que ela tenha perdido o bebê que estava gestando”, disse o delegado. Foi justamente esse caso que deu origem à investigação.

Financeiramente, o esquema movimentou cifras expressivas. “Somente uma dessas organizações movimenta por volta de R$ 24 milhões, entre 2024 e 2026”, disse Fernando Bezerra. Conforme o delegado, os líderes usavam empresas de fachada para despistar sobre a ação criminosa.

Foram decretadas 25 prisões preventivas, das quais 20 foram cumpridas simultaneamente no Amazonas, Santa Catarina, Roraima e Paraíba. Um dos líderes não foi preso por estar internado em estado grave em um hospital de Manaus. A esposa dele foi presa. Outros quatro alvos estão foragidos. A investigação abrange crimes desde 2021, com 40 vítimas identificadas.

Entre os itens apreendidos durante a operação estão espadas. Segundo o delegado Fernando Bezerra, as armas brancas “fazem parte de fetiche de um líder de uma das organizações criminosas” que é responsável pelo esconderijo onde a mulher foi mantida em cárcere privado.

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