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Royalties da mineração injetam R$ 477,4 milhões; Amazonas, no entanto, recebe somente 0,35% da distribuição

A distribuição mais recente da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) expôs a reduzida participação do Amazonas na arrecadação mineral brasileira.

Dos R$ 477,4 milhões repassados pela Agência Nacional de Mineração (ANM) a estados e municípios produtores, o Amazonas recebeu apenas R$ 1,7 milhão, somando a parcela destinada ao governo estadual e às prefeituras.

O valor representa somente 0,357% do total distribuído no país, percentual considerado irrisório diante do potencial mineral existente no estado e dos impactos ambientais e sociais associados à atividade.

O Governo do Amazonas recebeu R$ 340,8 mil. Onze municípios, incluindo a capital, dividiram R$ 1,36 milhão.

Presidente Figueiredo concentra arrecadação

A maior parte dos recursos ficou com Presidente Figueiredo, que recebeu R$ 1.245.489,88.

O município abriga a mina de Pitinga, operada pela Mineração Taboca, principal empreendimento mineral legal do Amazonas e controlado por capital chinês.

Os demais repasses ficaram muito abaixo desse patamar:

  • • Presidente Figueiredo: R$ 1.245.489,88
  • • Barcelos: R$ 61.869,34
  • • Manaus: R$ 41.718,78
  • • Iranduba: R$ 6.255,58
  • • Japurá: R$ 4.086,82
  • • Jutaí: R$ 1.437,79
  • • Itacoatiara: R$ 1.293,71
  • • Manacapuru: R$ 605,25
  • • Novo Airão: R$ 417,29
  • • Parintins: R$ 266,40
  • • Tabatinga: R$ 49,80

Os números mostram que praticamente toda a arrecadação mineral formal do estado está concentrada em uma única operação legalizada.

Contraste entre legalidade e clandestinidade

A distribuição da CFEM revela uma contradição da economia mineral amazonense. O principal polo de mineração legal do estado gera arrecadação, empregos e compensações financeiras aos cofres públicos.

É dessa atividade formal, submetida à fiscalização e ao recolhimento de tributos, que sai praticamente toda a receita mineral destinada ao Amazonas.

Em sentido oposto, toneladas de ouro e cassiterita extraídas ilegalmente em diferentes regiões do estado escapam dos mecanismos oficiais de controle.

Diferentemente da mineração formal, que recolhe CFEM e outros tributos, a produção clandestina gera riqueza privada sem retorno econômico para a população local.

O contraste é evidente: enquanto uma única operação legal em Presidente Figueiredo responde por praticamente toda a arrecadação mineral do Amazonas, um volume desconhecido de minério continua deixando o estado sem contabilização oficial.

Fiscalização

A comparação entre os R$ 1,7 milhão recebidos pelo Amazonas e a dimensão do mercado ilegal de ouro e cassiterita reforça um debate cada vez mais presente entre órgãos de controle, pesquisadores e especialistas: a necessidade de ampliar a fiscalização da cadeia mineral na Amazônia.

Sem controle efetivo sobre a origem e a comercialização desses minerais, o Amazonas continuará aparecendo como coadjuvante na distribuição dos royalties da mineração, apesar de possuir reservas estratégicas e estar no centro de uma das principais fronteiras minerais do país.

Os números divulgados pela ANM mostram que a riqueza mineral existente no território amazonense ainda está longe de se converter, na mesma proporção, em arrecadação pública, investimentos e desenvolvimento regional.

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