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UEA assume antigo prédio da Alfândega para pesquisa e cultura

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) vai restaurar o prédio histórico da antiga Alfândega, no Centro de Manaus, para implantar um centro cultural que terá exposição de artes, pesquisa de extensão universitária e atividades pedagógicas.

Um contrato assinado nesta quarta-feira (1º) com a Superintendência do Patrimônio da União no Amazonas assegura a cessão de uso do imóvel. O espaço integrará a estrutura da Esat (Escola Superior de Artes e Turismo) e a utilização inclui a preservação do patrimônio arquitetônico.

“Os nossos cursos de artes não se resumem somente às apresentações. Pelo contrário, a gente desenvolve a promoção da ciência e da ciência atrelada às artes na nossa Escola de Artes e Turismo. Então, não tem como desvincular uma coisa da outra”, disse o reitor da UEA, André Luiz Nunes Zogahib.

Pelo acordo, a UEA assume a recuperação completa da estrutura histórica. Por ser um imóvel tombado pelo Patrimônio Histórico, todo o trabalho precisará seguir critérios rigorosos de preservação.

“Não tem como fazer reforma. Como é um prédio tombado, ele tem todo um aspecto histórico e cultural aqui da nossa região. Ele vai ter que ser restaurado. E esse processo de restauração vai ter que ser feito de maneira minuciosa”, disse o reitor.

O edifício integra o Conjunto Arquitetônico do Porto de Manaus, tombado como Patrimônio Histórico Nacional pelo Iphan em 1987.

André Luiz Zogahib afirmou que a restauração representa um legado da história de Manaus. “A preservação desse espaço por si só já é um grande legado que a gente deixa para as gerações futuras. É a perpetuação de um prédio que tem toda uma história e uma relevância para contar como foi a nossa história aqui no Estado do Amazonas”.

Investimento

Conforme o reitor, o investimento inicial será de R$ 10 milhões para viabilizar o funcionamento do espaço, recursos da própria universidade.

Não há prazo definido para o início das obras. Segundo o reitor, será feito um estudo técnico de engenharia para elaboração do projeto.

Sem uso há anos

O superintendente do Patrimônio da União no Amazonas, Mauro Leno Rodrigues de Souza, explicou que o imóvel está sem utilização desde a saída da Receita Federal e precisava receber uma destinação capaz de garantir sua preservação.

“Já estava há muito tempo sem uso, desde que a Receita Federal saiu daqui. E, talvez pelas dimensões e pelo gasto necessário para fazer a reforma e o restauro desse empreendimento, não foi possível fazer ao longo desses anos”, disse.

Segundo Mauro Leno, a cessão permitirá que o prédio histórico volte a cumprir uma função pública relevante para a sociedade amazonense. “É um prédio do povo, portanto não pode ser doado, mas será cedido à UEA enquanto estiver cumprindo essa missão nobre de educar a população amazonense”.

O prédio foi inaugurado em 1909. É reconhecido como um dos primeiros edifícios pré-fabricados do mundo. Suas estruturas e blocos foram trazidos da Europa em porões de navios britânicos e montados no local.

Projetado pela construtora Manaos Harbour Limited, o complexo exibe um estilo eclético com forte influência mourisca, toques renascentistas e medievais. Suas ameias (muralhas de castelo) e telhados conferem um visual de fortaleza ao conjunto arquitetônico.

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