Investimento de R$ 120 milhões em guindastes elétricos e novos berços busca reduzir gargalos da Zona Franca e preparar terminal para navios maiores.

Pressionado pelo aumento da movimentação de cargas da Zona Franca de Manaus, pelo crescimento da cabotagem e pela chegada de embarcações cada vez maiores à região Norte, o Super Terminais iniciou uma nova etapa de expansão de sua infraestrutura portuária. O investimento de R$ 120 milhões inclui a incorporação de três guindastes elétricos e a ampliação do número de berços de atracação de quatro para seis, o que deverá elevar em cerca de 30% a capacidade operacional do terminal.
A expansão contempla ainda a ampliação do píer em 120 metros, fazendo a estrutura atingir 720 metros de extensão total. Com isso, o terminal passa a ter capacidade para atender simultaneamente até seis embarcações, reduzindo tempos de espera e aumentando a produtividade das operações em um dos principais corredores logísticos da Amazônia.
Os três novos equipamentos, do modelo Gottwald ESP 10, da fabricante alemã Konecranes, possuem capacidade de içamento de até 125 toneladas, velocidade operacional de até 120 metros por minuto e alcance de lança de 64 metros.
De acordo com Marcello Di Gregorio, diretor-geral do Super Terminais, tais especificações permitem a operação de embarcações da classe Super Post Panamax, com até 19 fileiras de contêineres, acompanhando uma tendência observada tanto no longo curso quanto na cabotagem de utilização de navios maiores para obtenção de ganhos de escala e redução de custos operacionais. “Além disso, esses investimentos garantem uma operação com menor emissão de carbono e nos dão a robustez necessária para atender à crescente demanda da Zona Franca de Manaus ”, afirma.
Previsibilidade logística
O principal impacto esperado é sobre a cadeia de suprimentos da Zona Franca de Manaus, altamente dependente do transporte aquaviário para o recebimento de insumos industriais e o escoamento da produção destinada ao mercado nacional e internacional.
Di Gregorio explica que a ampliação da infraestrutura deverá reduzir os tempos de espera e de descarregamento dos navios, eliminando gargalos operacionais e aumentando a previsibilidade logística para a indústria instalada no polo industrial amazonense.
A capacidade adicional também abre espaço para a atração de novos armadores e serviços marítimos para a região Norte, ampliando a conectividade logística de Manaus com fornecedores e mercados consumidores no Brasil e no exterior.
Os investimentos também refletem a busca do setor por maior previsibilidade operacional após as estiagens que atingiram a Amazônia nos últimos anos. Em diversos momentos, a redução do nível dos rios dificultou a navegação, atrasou o transporte de insumos e pressionou os custos logísticos da indústria da Zona Franca de Manaus.
De acordo com o executivo, a expansão responde simultaneamente ao crescimento da cabotagem e das operações de longo curso. A cabotagem continua sendo um dos principais pilares logísticos da economia amazonense, responsável pelo abastecimento de insumos industriais e pela distribuição da produção da Zona Franca para os principais mercados consumidores do país.
Movimentação deve superar 300 mil TEUs em 2026
O crescimento da movimentação ajuda a explicar a decisão de ampliar a capacidade do terminal. Entre janeiro e junho deste ano, o Super Terminais movimentou 138.035 TEUs. Para 2026, a expectativa é superar a marca de 300 mil TEUs, mantendo a trajetória de expansão observada na região Norte.
Com a chegada dos novos equipamentos, o terminal passa a operar seis guindastes elétricos em Manaus, uma das maiores frotas desse tipo em operação no sistema portuário brasileiro.
Conectados diretamente à rede elétrica, os equipamentos eliminam o consumo de combustíveis fósseis durante as operações de movimentação de cargas e reduzem a utilização de óleo hidráulico, alinhando ganhos operacionais e redução das emissões associadas às atividades portuárias.
Paralelamente aos investimentos em Manaus, o grupo avança no projeto do Porto de Itacoatiara, no interior do Amazonas.
Segundo a empresa, as obras seguem dentro do cronograma previsto e a expectativa é iniciar as operações até o final de agosto, ampliando a presença do operador na logística fluvial e portuária da região Norte.


