
Jovens moradores das periferias de Manaus terão a oportunidade de transformar o olhar sobre seus territórios por meio da fotografia. O projeto “Olhai por Nós – A Visão da Juventude Amazônida”, idealizado pelo coletivo Arte Ocupa, abre inscrições nesta quarta-feira (15), para selecionar 10 participantes que receberão formação gratuita em fotografia, bolsa mensal de R$ 450 e a chance de expor seus trabalhos no Museu da Cidade de Manaus.
As inscrições são gratuitas e seguem abertas por um mês. Os interessados poderão se inscrever por meio do perfil do coletivo no Instagram (@arteocupa), onde estará disponível o formulário eletrônico. Também serão realizadas ações presenciais em escolas, comunidades e eventos para ampliar o acesso à seleção.
O projeto é destinado a jovens de 15 a 29 anos que vivem em bairros periféricos, comunidades, ocupações, bodozais ou em territórios historicamente pouco representados de Manaus. Não é necessário ter experiência com fotografia ou qualquer formação artística.
Durante três meses, os selecionados participarão de oficinas ministradas por fotógrafos profissionais, com atividades voltadas ao aprendizado técnico, à produção de imagens e à construção de narrativas sobre a realidade amazônica.
Além da bolsa mensal, os participantes terão acesso a câmeras digitais compartilhadas durante a formação, embora também possam utilizar seus próprios celulares nas atividades.
Ao término do curso, cada participante terá uma fotografia escolhida para integrar uma exposição coletiva no Museu da Cidade de Manaus, reunindo diferentes perspectivas sobre a capital amazonense a partir do olhar da juventude periférica.
Fotografia como ferramenta de transformação
Coordenado por Sarah Campelo, com articulação pedagógica de Alex Costa, o projeto nasceu do desejo de ampliar o acesso à formação artística para jovens que, historicamente, encontram menos oportunidades de inserção no setor cultural.
Segundo Sarah, a iniciativa pretende fortalecer o protagonismo da juventude ao permitir que os próprios moradores contem as histórias de seus territórios.
“Uma das propostas é colocar a juventude como protagonista e mostrar as periferias a partir de um olhar de dentro, rompendo com os estigmas e as narrativas de violência que costumam marcar esses espaços”.
Para Alex Costa, a fotografia é uma ferramenta capaz de fortalecer identidades, preservar memórias e provocar mudanças sociais.
“Queremos que esses jovens descubram a potência do próprio olhar. Mais do que formar fotógrafos, buscamos incentivar pessoas que reconheçam o valor de seus territórios e se tornem protagonistas das transformações que desejam construir”.
Durante a formação, os participantes serão incentivados a registrar aspectos do cotidiano, como família, cultura, memória, meio ambiente, arte e território, construindo narrativas autorais sobre a Amazônia urbana.
Inspiração no Carnaval de 1989
O nome “Olhai por Nós” faz referência à faixa “Mesmo Proibido, Olhai por Nós”, que integrou o histórico desfile “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, apresentado pela Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval de 1989. A frase acompanhava uma imagem do Cristo Redentor coberta por um saco plástico após decisão judicial que censurou sua exibição na avenida.
Sobre o coletivo
Criado em 2021, em Manaus, o Arte Ocupa desenvolve projetos culturais e sociais voltados à valorização das periferias amazônicas como espaços de criação, memória e resistência.
O coletivo reúne artistas, educadores e agentes culturais e promove oficinas, exposições, rodas de conversa, intervenções urbanas e ações comunitárias. Entre as iniciativas desenvolvidas está o trabalho realizado na comunidade Mossoró, com atividades de muralismo, sessões de cinema, oficinas culturais e projetos de fortalecimento dos vínculos comunitários.


