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Amazonas registra 2ª maior inadimplência rural do país e acende alerta no setor agropecuário

Serasa Experian identifica avanço do indicador em relação a 2025 e aponta crédito restrito e custos elevados entre os fatores.

O produtor rural do Amazonas enfrenta um dos cenários financeiros mais desafiadores dos últimos anos. Dados inéditos divulgados pela Serasa Experian nesta terça-feira (14), revelam que o estado ocupa o segundo lugar no ranking nacional de inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas, registrando uma taxa de 15% no primeiro trimestre de 2026.

O Amazonas fica atrás apenas do Amapá, que lidera o índice com 21,2%. Juntos, os dois estados impulsionam os indicadores da Região Norte, que consolidou-se com a maior taxa de inadimplência do país (13,2%), evidenciando um forte contraste com o Sul, que registrou o menor índice nacional, de apenas 6,2%.

O Raio-X da Inadimplência no Campo

A pesquisa da Serasa Experian, que acompanha o comportamento financeiro de 10,7 milhões de produtores rurais por meio de cadastros públicos e operações de crédito, considera dívidas vencidas há mais de 180 dias contraídas junto a empresas do agronegócio.

No cenário nacional, o índice médio de inadimplência subiu para 8,8% no primeiro trimestre de 2026 — uma alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. No entanto, a realidade do Amazonas (15%) quase dobra a média nacional, expondo a vulnerabilidade econômica enfrentada pelo produtor local.

O que está pesando no bolso do produtor? Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o setor ainda lida com as sequelas de um ambiente econômico adverso. No Amazonas e no restante do país, a capacidade de pagamento tem sido severamente pressionada por três fatores principais:

  • Custos de produção elevados (insumos, logística e transporte);
  • Oscilações nos preços das commodities no mercado;
  • Restrição severa ao crédito para custeio e novos investimentos.

Quem são os mais afetados?

O levantamento traz recortes importantes sobre o perfil do produtor inadimplente que ajudam a entender onde o problema está concentrado:

  • Por porte de propriedade: Produtores sem informação de registro rural lideram a inadimplência com 11%. Entre os proprietários com registro, os grandes produtores registram 9,9%, seguidos pelos médios (8,6%) e pequenos (8,3%).
  • Por faixa etária: O endividamento atinge em cheio a parcela economicamente mais ativa. Os maiores índices de inadimplência concentram-se na faixa de 30 a 39 anos, seguida pelos jovens de 18 a 29 anos e adultos de 40 a 49 anos. O índice só começa a recuar gradativamente a partir dos 50 anos.

Queda no “score” dificulta acesso a novos recursos

O reflexo direto dessa crise financeira no campo aparece no Agro Score — ferramenta da Serasa Experian que utiliza inteligência artificial para medir o risco de crédito do produtor. A pontuação média nacional despencou de 606 para 591 pontos na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026.

Com a nota de crédito mais baixa e a inadimplência em alta, os produtores amazonenses devem encontrar ainda mais portas fechadas em bancos, cooperativas e tradings para financiar a próxima safra.

O agravamento deste cenário ocorre em um momento político de forte tensão em Brasília, onde membros da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) e o governo federal travam um embate direto sobre as regras para a renegociação das dívidas rurais no país. Sem um acordo de socorro mútuo, o fantasma da restrição de crédito promete continuar assombrando o campo no Amazonas ao longo de 2026.

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