Enquanto o varejo brasileiro ensaia uma recuperação discreta, o comércio amazonense caminha na contramão, registrando recuo de 2,8% no mês e liderando as retrações na comparação anual.

O comércio varejista do Amazonas ligou o sinal de alerta em maio. De acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados nesta quinta-feira (16) pelo IBGE, o volume de vendas no estado registrou uma retração de 2,8% em maio na comparação com o mês anterior.
O tombo coloca o Amazonas com a terceira maior queda entre todas as Unidades da Federação, contrastando diretamente com o cenário nacional, que apresentou um leve crescimento de 0,1%.
O Tombo de Maio e o Contraste Nacional
Enquanto o país ensaia uma estabilidade com viés de alta após um abril difícil, o comércio do Amazonas despencou. A queda de 2,8% acende um alerta para o empresariado local, especialmente porque o desempenho do estado se descolou da média do Brasil.
No cenário nacional, o crescimento discreto de 0,1% foi impulsionado por setores como:
- Livros, jornais, revistas e papelaria (+15,2%)
- Tecidos, vestuário e calçados (+3,1%)
- Móveis e eletrodomésticos (+2,7%)
No Amazonas, contudo, o freio no consumo local falou mais alto, empurrando os índices para baixo.
Comparação Anual: Amazonas Lidera Pressão Negativa
O cenário se mostra ainda mais desafiador quando analisamos o desempenho a longo prazo. Na comparação com maio de 2025, o varejo amazonense registrou a maior queda do país:
Desempenho Anual do Varejo Restrito (Maio 2026 vs. Maio 2025):
- Amazonas: -4,5% (Pior resultado nacional)
- Rondônia: -3,5%
- Espírito Santo: -2,9%
Enquanto estados como Tocantins (+12,3%) e Pernambuco (+7,4%) celebram o avanço no consumo em relação ao ano passado, o Amazonas lidera o grupo das 14 Unidades da Federação que pressionaram o índice nacional para baixo.
Varejo Ampliado Também Sofre Retração
Nem mesmo a inclusão dos setores de veículos, peças e materiais de construção — que costumam dar fôlego ao comércio — foi suficiente para salvar o resultado local. No chamado comércio varejista ampliado, o Amazonas registrou queda de 3,2% na comparação com maio do ano passado.
No ranking das maiores retrações do varejo ampliado, o estado figurou no “pódio” negativo:
| Unidade da Federação | Desempenho (Varejo Ampliado – Anual) |
| São Paulo | -6,4% |
| Mato Grosso | -3,6% |
| Amazonas | -3,2% |
No restante do país, a realidade foi oposta: 19 das 27 Unidades da Federação tiveram resultados positivos no varejo ampliado, com destaque para Tocantins (+14,3%) e Espírito Santo (+7,1%).
O Desafio para o Comércio Amazonense
Os números do IBGE evidenciam que o comércio do Amazonas enfrenta um momento de forte retração na demanda. Com a maior queda anual do país no varejo restrito (-4,5%) e uma das maiores no ampliado (-3,2%), o setor produtivo local precisará recalibrar estratégias para reaquecer o consumo e reverter o saldo negativo nos próximos meses do ano.


