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Greve de ônibus em Manaus atinge terceiro dia por impasse financeiro entre empresas e governos

Sindicato cobra pagamento de salários, enquanto Sinetram alegava dívida de R$ 90 milhões referente ao Passe Livre Estudantil; Estado depositou R$ 18 milhões na terça-feira (21).

A paralisação dos trabalhadores do transporte coletivo de Manaus entrou no seu terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (22). Pistas e paradas seguem afetadas, mas os ônibus continuam circulando com frota reduzida — 80% nos horários de pico (das 6h às 9h e das 17h às 20h) e 50% nos demais períodos —, cumprindo a determinação liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11).

Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, a greve começou na última segunda-feira (20) após o descumprimento, por parte das empresas, do prazo para o pagamento da primeira parcela dos salários da categoria. Uma decisão do TRT-11 estabelece que 40% do vencimento deve ser pago até o dia 20 de cada mês (ou dia útil anterior) e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte.

O impasse financeiro e a dívida do Passe Livre

Por trás do atraso salarial, as empresas de transporte alegam estrangulamento financeiro causado por repasses pendentes do Passe Livre Estudantil. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), a dívida acumulada chegava a R$ 90,1 milhões, dividida entre o Governo do Estado (mais de R$ 44 milhões) e a Prefeitura de Manaus.

O cenário gerou troca de acusações e divergências entre os entes públicos e a iniciativa privada ao longo da terça-feira (21):

  • Prefeitura de Manaus: O prefeito Renato Júnior afirmou categoricamente que o município não possui qualquer pendência financeira referente ao exercício de 2026, com repasses que já somam R$ 284 milhões este ano. Em contrapartida, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) esclareceu que existe um passivo acumulado de anos anteriores no valor de R$ 150,4 milhões (sendo R$ 91 milhões de responsabilidade do Estado e R$ 59 milhões da Prefeitura).
  • Governo do Amazonas: O vice-governador Serafim Corrêa contestou os números apresentados pelo Sinetram e informou que o Estado reconhecia apenas uma dívida de R$ 18 milhões, referente aos meses de fevereiro a julho de 2026. O valor foi depositado na conta do Sinetram na noite de terça-feira (21). “Fizemos a nossa parte. Assunto encerrado”, declarou o vice-governador em rede social ao exibir o comprovante de transferência.

Meia-passagem x Tarifa Técnica

A divergência sobre os valores cobrados vem desde 2025, após o fim do convênio entre Governo e Prefeitura para o custeio do Passe Livre.

O nó da questão está no cálculo do benefício:

  • Entendimento do Estado: Com respaldo de uma decisão judicial da 2ª Vara da Fazenda Pública de Manaus emitida em junho de 2025, o Governo defende que deve pagar R$ 2,50 por passagem (valor equivalente à meia-passagem estudantil).
  • Entendimento do Sinetram: As empresas cobram que o repasse seja feito com base na tarifa técnica — o valor real do custo operacional do sistema —, que atualmente supera R$ 8,00 por passageiro.

Enquanto a disputa judicial e financeira entre as partes continua, a população manauara segue enfrentando tempo de espera elevado nos pontos de ônibus e frota limitada nas ruas da capital.

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