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CBMAM encerra operações em fábrica após vazamento de estireno em Manaus e MPT abre inquérito

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) encerrou oficialmente a fase operacional de atendimento ao vazamento de monômero de estireno na fábrica da Videolar-Innova, localizada no Distrito Industrial I de Manaus. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (22), após vistorias técnicas confirmarem que o tanque atingido permanece estabilizado e sem a emissão de gases para a atmosfera.

O incidente teve início às 17h36 do dia 15 de junho, na Unidade IV da fábrica, após o reservatório de estireno apresentar uma elevação anormal de temperatura que resultou em uma reação de polimerização, classificada pela empresa como “emergência química”. O vazamento direto havia sido controlado no domingo (19).

“Realizamos uma nova inspeção e constatamos que o cenário permanece completamente controlado, sem emissão de gases para a atmosfera. Com isso, o Corpo de Bombeiros conclui a fase operacional da ocorrência”, afirmou o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz.

Com o fim da operação dos bombeiros, a estrutura de emergência no local foi desmobilizada. A partir de agora, a responsabilidade de retirar o tanque atingido e dar o destino adequado aos resíduos químicos passa para a empresa. De acordo com o Governo do Amazonas — que informou que continuará monitorando as etapas —, esse processo de remoção deve se estender ao longo dos próximos meses. Os bombeiros permanecem em prontidão caso haja nova alteração no local.

Mais de 600 pessoas foram atendidas com sintomas

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), 648 pessoas buscaram atendimento médico após exposição ao composto químico. A grande maioria das vítimas (67%) teve contato com o produto durante a jornada de trabalho, relatando um tempo médio de três horas de exposição.

Os impactos à saúde registrados na rede de atendimento incluem:

  • Sintomas respiratórios: presentes em 78% dos casos atendidos;
  • Alterações e irritações na pele: registradas em 20% dos pacientes.

Embora a maioria das vítimas pertença à faixa etária de 20 a 59 anos, a prefeitura também confirmou registros de atendimento a crianças e adolescentes da região.

MPT abre inquérito e exige afastamento de trabalhadores

Paralelamente ao encerramento da emergência em campo, o Ministério Público do Trabalho no Amazonas e Roraima (MPT-AM/RR) instaurou um Procedimento Preparatório de Inquérito Civil para apurar as causas e responsabilidades do acidente.

O órgão expediu uma recomendação oficial às empresas Videolar S/A e Videolar-Innova S/A, determinando a adoção imediata das seguintes medidas de segurança:

  1. Afastamento imediato: concessão de licença a todos os funcionários expostos ao gás até a completa normalização do ambiente;
  2. Equipamentos de proteção: fornecimento de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) e Individual (EPI) específicos para as equipes que atuam na contenção;
  3. Isolamento de área: interdição rigorosa do perímetro afetado;
  4. Cumprimento do PAE: execução integral dos protocolos do Plano de Ação de Emergência.

O MPT solicitou ainda o envio de documentos obrigatórios de segurança — como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) —, além da lista completa dos funcionários presentes no momento do vazamento. Órgãos fiscalizadores foram oficiados para emitir laudos técnicos sobre o impacto à saúde dos trabalhadores e a eficácia das medidas de contenção.

O que é o gás estireno? O monômero de estireno é uma substância química líquida, volátil, tóxica e altamente inflamável, amplamente utilizada na fabricação de plásticos e resinas. A inalação de seus vapores causa irritação nas vias aéreas, olhos e pele, podendo afetar o sistema nervoso central em exposições elevadas ou prolongadas.

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