Mesmo com receita acumulada de R$ 100,1 bilhões até maio de 2026, Polo Industrial de Manaus desacelera ritmo de crescimento e registra perda líquida de postos de trabalho.

O desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM) nos primeiros cinco meses de 2026 apresenta um cenário de contrastes para a economia do Amazonas. Se por um lado os indicadores financeiros divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) mostram um faturamento bilionário em alta, por outro, os dados sociais acendem um sinal de alerta: o nível de emprego encolheu e o poder de compra dos trabalhadores da indústria amazonense sofreu desvalorização.
Entre janeiro e maio deste ano, o PIM movimentou R$ 100,1 bilhões, o que representa um crescimento de 5,77% em relação ao mesmo período de 2025 (quando alcançou R$ 94,6 bilhões). Apesar do número expressivo, o ritmo de expansão do parque industrial desacelerou fortemente: o avanço registrado em 2026 equivale a apenas um terço do crescimento observado na compa
Encolhimento nos Empregos e Renda Abaixo da Inflação
O reflexo dessa desaceleração atingiu diretamente o mercado de trabalho local. No acumulado até maio, o PIM registrou um saldo negativo de 241 vagas de emprego, resultado de 16.646 contratações contra 16.887 demissões.
A retração concentrou-se nos contratos mais vulneráveis:
- Mão de obra temporária: Queda de 4,42%;
- Mão de obra terceirizada: Redução de 1,90% em abril e 3,74% em maio.
Com o movimento de dispensa, a média mensal de trabalhadores contratados no polo caiu de 132.045 (em 2025) para 130.726 em 2026.
Além da perda de postos, a qualidade da renda do trabalhador amazonense também foi pressionada. Dos 111.922 empregados diretos das fábricas, 58% (64.803 trabalhadores) receberam até dois salários mínimos (R$ 3.242,00) e 29% ganharam entre dois e quatro salários mínimos (até R$ 6.484,00).
Embora a média salarial geral do PIM tenha subido de R$ 3.777,64 para R$ 3.885,89 — uma variação positiva de 2,9% —, o reajuste ficou abaixo da inflação oficial do período (3,20%, segundo o IBGE), resultando em perda real de poder de compra. A participação dos dispêndios com folha de pagamento e benefícios em relação ao faturamento das empresas também caiu, passando de 4,92% para 4,78%.
Destaques Setoriais e Produção em Massa
Analisando o desempenho dos setores produtivos, a Suframa destacou a liderança do segmento de Duas Rodas, responsável por 20,73% de todo o faturamento do PIM até maio, impulsionado pela marca de mais de 1 milhão de motocicletas, motonetas e ciclomotores produzidos (1.004.301 unidades).
A composição do faturamento do PIM no período ficou dividida entre os principais setores:
| Setor | Participação no Faturamento (%) |
| Duas Rodas | 20,73% |
| Bens de Informática | 20,58% |
| Eletroeletrônico | 16,20% |
| Químico | 11,05% |
| Termoplástico | 10,38% |
| Metalúrgico | 8,67% |
| Mecânico | 6,42% |
Em termos de variação percentual de faturamento, o setor de Bebidas obteve o maior crescimento relativo entre todos os segmentos do parque industrial.
Na esteira da produção física do polo, a fabricação de telefones celulares atingiu a marca de 5,08 milhões de unidades nos primeiros cinco meses do ano. Já os produtos que registraram os maiores saltos percentuais de volume de produção no período foram os home theaters (20.349 unidades), lâminas e cartuchos de barbear (41,57 milhões de unidades) e aparelhos telefônicos/porteiros eletrônicos (126,15 mil unidades).
O balanço da autarquia mostra que, para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento regional no Amazonas, o Polo Industrial de Manaus precisará conciliar a manutenção de suas receitas bilionárias com a recuperação do nível de emprego e do poder de compra da classe trabalhadora local.


