Portal Você Online

Gaeco realiza “Usura 2” contra agiotagem com juros de até 70% ao mês no Amazonas

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), deflagrou na manhã desta sexta-feira (31) a Operação Usura 2 – Juros Sobre Juros. A ação ocorreu de forma simultânea na capital, Manaus, e no município de Benjamin Constant, localizado a 1.119 quilômetros no interior do estado.

O objetivo da força-tarefa é desarticular uma organização criminosa suspeita de conceder empréstimos informais mediante a cobrança de juros abusivos — prática conhecida como agiotagem —, acompanhada de ameaças e extorsão.

Alvos e Apreensões

Ao todo, as equipes cumpriram oito mandados de busca e apreensão, sendo sete na capital e um em Benjamin Constant. Durante os cumprimentos, foram apreendidos:

  • Dispositivos eletrônicos: Celulares, computadores e mídias digitais;
  • Documentos financeiros: Anotações, comprovantes de transações bancárias, contratos e notas promissórias;
  • Outros bens: Valores em dinheiro sem origem justificada, armas e materiais relevantes para as investigações.

Segundo o MPAM, o material recolhido ajudará a instruir o processo e a identificar outros possíveis envolvidos ou vítimas da rede clandestina.

Esquema Mirava Servidores Públicos

As investigações tiveram início após o relato de uma vítima que enfrentou dificuldades para quitar dívidas contraídas fora do sistema bancário regular. Ao atrasar os pagamentos, passou a sofrer cobranças vexatórias, acompanhadas de ameaças diretas e veladas.

A análise das conversas e comprovantes bancários revelou um padrão predatório: os juros cobrados pelos suspeitos chegavam a 70% ao mês. As apurações apontam que as principais vítimas do grupo eram servidores do Poder Judiciário.

Lavagem de Dinheiro

Ainda de acordo com o Gaeco, o grupo utilizava contas de terceiros (“laranjas”) para receber as quantias cobradas e ocultar a identidade dos reais beneficiários do esquema financeiro. Os investigados responderão pelos crimes de:

  • Usura pecuniária (agiotagem);
  • Extorsão;
  • Lavagem de capitais.

Segunda Fase em Menos de Uma Semana

A deflagração da “Usura 2” ocorre apenas quatro dias após a primeira etapa do caso, deflagrada na última segunda-feira (27). Na ocasião, o MPAM cumpriu dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, resultando na prisão de três suspeitos, no bloqueio de contas bancárias e na apreensão de dois veículos, joias, dinheiro em espécie e eletrônicos.

O Ministério Público informou que as investigações continuam correndo em segredo de Justiça. O órgão ressaltou que todos os alvos têm garantidos os direitos previstos na Constituição Federal, incluindo o contraditório e a presunção de inocência.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *