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Geração que malha, suplementa e faz exames ainda está infartando

Para a cardiologista Dra. Fernanda Weiler, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, a nova geração precisa entender que performance física e aparência saudável não significam, necessariamente, proteção cardiovascular

Nunca houve tanta informação sobre saúde, bem-estar e longevidade. Uma parcela crescente da população incorporou a prática de exercícios físicos, acompanha métricas em relógios inteligentes, investe em suplementos, realiza exames periódicos e busca melhorar a própria performance. Ainda assim, doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por aproximadamente 17,9 milhões de mortes todos os anos, representando cerca de 32% dos óbitos globais. Entre os principais eventos estão o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC).

Para a Dra. Fernanda Weiler, médica cardiologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, esse cenário revela uma mudança importante na forma como a sociedade entende o conceito de saúde: muitas pessoas passaram a associar bem-estar à estética, ao desempenho físico ou à ausência de sintomas mas o coração exige uma avaliação muito mais ampla. “Nós vivemos uma era em que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o corpo, mas nem sempre com a saúde cardiovascular de forma integral. Ter músculos, baixa gordura corporal ou conseguir completar uma prova esportiva são conquistas importantes, mas não eliminam fatores de risco que podem permanecer silenciosos por anos“, diz.

A médica explica que o aumento de eventos cardiovasculares em adultos mais jovens está relacionado a uma combinação de fatores que fazem parte da rotina contemporânea: níveis elevados de estresse, sono insuficiente, alimentação baseada em ultraprocessados, consumo excessivo de álcool, sedentarismo fora dos momentos de treino e doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.

Dados da American Heart Association (AHA) apontam que fatores de risco cardiovasculares têm apresentado crescimento entre adultos mais jovens, reforçando a importância de olhar para a prevenção antes que os primeiros sinais apareçam. 

Segundo a médica, um dos principais equívocos atuais é acreditar que a prática de atividade física funciona como uma proteção absoluta contra doenças cardiovasculares. “O exercício físico é uma das ferramentas mais poderosas para proteger o coração, mas ele não consegue compensar sozinho uma rotina desequilibrada. A saúde cardiovascular é construída pela soma de escolhas diárias: qualidade do sono, alimentação, controle do estresse, acompanhamento médico e identificação precoce dos fatores de risco“, explica ela.

Outro ponto de atenção destacado pela cardiologista é o crescimento do uso de suplementos e estimulantes para melhorar a performance. Embora alguns produtos possam ter indicação adequada, o consumo sem avaliação individualizada pode representar riscos para pessoas com predisposição a alterações de pressão arterial ou ritmo cardíaco.

Dra. Fernanda também alerta para a falsa tranquilidade causada por exames pontuais. Segundo ela, a avaliação cardiovascular não deve se limitar a um resultado isolado, mas considerar o histórico familiar, idade, hábitos de vida, pressão arterial, colesterol, glicemia e outros fatores que compõem o risco individual.

No Brasil, as doenças cardiovasculares permanecem entre as principais causas de mortalidade. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforçam a importância da prevenção e do controle dos fatores modificáveis para reduzir a ocorrência de infartos e AVCs.

Para a cardiologista, o momento é de ampliar a visão sobre o que realmente significa cuidar do coração. “O coração não sabe quantos quilômetros você correu ou quantas horas passou na academia. Ele responde ao conjunto da sua rotina. A verdadeira prevenção cardiovascular acontece quando entendemos que saúde não é apenas aquilo que aparece no espelho, mas aquilo que conseguimos sustentar ao longo da vida”, finaliza.

Dra Fernanda indica 6 sinais de que sua saúde cardiovascular merece mais atenção

✔ Você treina regularmente, mas dorme pouco ou acorda frequentemente cansado.

✔ Você faz exames de rotina, mas nunca avaliou seu risco cardiovascular de forma personalizada.

✔ Você utiliza suplementos, pré-treinos ou estimulantes sem acompanhamento médico.

✔ Você considera o estresse constante uma parte “normal” da vida.

✔ Existe histórico familiar de infarto, AVC ou morte súbita.

✔ Você acredita que estar em forma elimina a possibilidade de desenvolver doenças cardiovasculares.

Sobre a Dra Fernanda Weiler:

Dra Fernanda Weiler é formada em medicina pela Universidade de Brasília (UNB) com residência em cardiologia pela mesma Universidade. É membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e certificada internacionalmente em Medicina do Estilo de Vida. Entre 2014 e 2015 foi professora da UNB, mesma Universidade em que se formou.

Sua extensão em Medicina do Estilo de Vida, feita na Harvard Medical School (EUA) fez com que Dra Fernanda passasse a olhar a saúde cardíaca como resultado também (e principalmente) das escolhas de vida de cada pessoa. Defensora da atividade física e da promoção dos bons hábitos, dedica parte de sua carreira a incentivar seus pacientes e seguidores das redes sociais a adotarem melhores hábitos no que tange aos seis pilares da Medicina do Estilo de Vida. 

Dra Fernanda é também co-fundadora do grupo “Mais uma D.O.S.E (dopamina, ocitocina, serotonina, endorfina)”, que visa a melhora na qualidade de vida através da Medicina do Estilo de Vida.

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