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Com 2,8 milhões de eleitores, Amazonas define seis candidatos na disputa pelo governo

Com seis candidaturas oficializadas após as convenções partidárias, o tabuleiro eleitoral no estado ganha contornos de disputa acirrada, dividindo máquinas públicas e embaralhando alianças tradicionais.

O cenário para as eleições municipais e estaduais no Amazonas está definitivamente desenhado. Após o encerramento das convenções partidárias, seis nomes disputam o comando do Executivo estadual: David Almeida (Avante), Gilberto Vasconcelos (PSTU), Isael Munduruku (Rede), Maria do Carmo (PL), Omar Aziz (PSD) e Roberto Cidade (União). O total representa um enxugamento em relação a 2022, quando oito candidatos foram às urnas, marcando um pleito com menos postulações periféricas e maior concentração das forças políticas locais.

A corrida ao Palácio Rio Negro será marcada pelo confronto direto entre três máquinas administrativas. De um lado, Omar Aziz reúne o apoio da máquina federal e compõe o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No âmbito local, o embate se dá entre a máquina estadual — representada pela candidatura de reeleição de Roberto Cidade — e a máquina municipal da capital, que impulsiona a campanha de David Almeida.

Arranjos locais se sobrepõem às ideologias

As alianças formadas revelam que os acertos regionais falaram mais alto do que a alinhamento ideológico nacional. A divisão dos partidos de esquerda no estado é o maior reflexo desse pragmatismo: enquanto o PSB se aliou a Roberto Cidade, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) fechou com Omar Aziz, e o PDT optou por apoiar David Almeida.

Apenas três forças políticas apostaram em chapas “puro-sangue”, sem coligações formais: o Partido Liberal (PL), o PSTU e a federação Rede Sustentabilidade/Psol.

As Forças no Tabuleiro

  • Omar Aziz (PSD) – Coligação “Amazonas Forte de Novo”: Une PSD, MDB, Republicanos e a Federação PT/PCdoB/PV. A aliança aposta na imagem de experiência para reconstruir o estado e conta com a maior fatia de tempo de rádio e TV, o apoio do presidente Lula e forte presença no interior.
  • Roberto Cidade (União) – Coligação “União pelo Amazonas”: Junta União Brasil, PP, Podemos e PSB. Respaldado pelo grupo do candidato ao Senado Wilson Lima, defende a continuidade da atual gestão, embora enfrente o desafio de liderar um grupo politicamente menor do que o formado em 2022.
  • David Almeida (Avante) – Coligação “Pra Cima Amazonas”: Reúne Avante, PDT, Democracia Cristã, Agir e a Federação PRD/Solidariedade. Mantém a base de apoio da Prefeitura de Manaus e forte presença na Câmara Municipal, mas busca superar a rejeição na capital e a falta de capilaridade no interior.
  • Maria do Carmo (PL): Aposta na fidelidade do eleitorado bolsonarista com chapa isolada. Repete a fórmula adotada pelo partido nas eleições municipais de 2024, buscando converter a polarização nacional em votos regionais.
  • Gilberto Vasconcelos (PSTU) e Isael Munduruku (Rede/Psol): Em voos solos, as candidaturas usam o pleito para marcar posição política e dar visibilidade a pautas sociais e econômicas.

Amazonas ultrapassa 2,7 milhões de eleitores, e Manaus concentra mais da metade do eleitorado

estado do Amazonas registra mais de 2,72 milhões de eleitores aptos a exercer o direito ao voto. De acordo com os dados consolidados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), o colégio eleitoral amazonense reflete não apenas o crescimento demográfico da região, mas também os complexos desafios de logística e infraestrutura para garantir a cobertura pleitista na maior unidade federativa do país.

A capital, Manaus, desponta como o principal centro decisivo do estado. Com 1,43 milhão de votantes cadastrados, a cidade reúne 52,4% de todo o eleitorado amazonense. Esse contingente faz da capital o maior colégio eleitoral da Região Norte, concentrando 485 locais de votação e mais de 4 mil seções eleitorais.

A força e os desafios do interior

No interior, 1,29 milhão de cidadãos compõem os 47,6% restantes dos votos válidos no estado. Municípios de médio porte lideram a contagem fora da capital:

  • Manacapuru: 79,0 mil eleitores
  • Parintins: 71,4 mil eleitores
  • Coari: 50,8 mil eleitores
  • Tefé: 49,1 mil eleitores

Na outra ponta da tabela, municípios com menor densidade populacional, como Japurá (5,7 mil) e Amaturá (7,1 mil), impõem um esforço extra à Justiça Eleitoral. Ao todo, o TRE-AM opera 1.612 locais de votação e 8.452 seções distribuídas pelos 62 municípios, exigindo deslocamentos que envolvem longos trajetos fluviais e apoio logístico para alcançar comunidades isoladas, ribeirinhas e indígenas.

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