Renegociação de dívidas cresce 41% no último trimestre, enquanto pesquisa aponta que quitar débitos e manter as contas em dia estão entre as principais prioridades para o segundo semestre

A inadimplência alcançou 1.831.625 amazonenses em julho de 2026, segundo o mais recente Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. O número representa crescimento de 1,6% em relação ao mês anterior, quando 1.812.345 pessoas estavam inadimplentes. No mesmo período, aumentou a busca pela reorganização financeira, com a renegociação de dívidas avançando no país e indicando uma desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência.
No Brasil, o mês de julho terminou com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, alta de 0,23% em relação ao mês anterior. Ao todo, mais de 348,3 milhões de dívidas permanecem em aberto, somando R$ 586,4 bilhões em débitos.
A preocupação com a organização das finanças também aparece em pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. Segundo o levantamento, metade dos consumidores brasileiros (50%) afirma ter gastado mais do que planejava no primeiro semestre de 2026, reforçando a necessidade de revisar o orçamento e estabelecer novas prioridades para os próximos meses.
O estudo mostra ainda que 54% dos brasileiros costumam revisar o planejamento financeiro no meio do ano, avaliando as metas estabelecidas em janeiro e definindo os próximos passos para o restante de 2026. Em comparação com o levantamento realizado em 2025, houve aumento de seis pontos percentuais entre aqueles que apontam como principal objetivo manter as contas em dia, alcançando 55% dos entrevistados.
“O meio do ano é um momento importante para refletir sobre o planejamento financeiro e ajustar a rota quando necessário. Mesmo diante de um cenário de inadimplência ainda elevado, percebemos que os consumidores estão mais conscientes sobre a importância de reorganizar o orçamento e estabelecer metas compatíveis com sua realidade financeira”, afirma Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa.
Quitar dívidas é prioridade
Para o segundo semestre, quase metade dos brasileiros (49%) pretende quitar dívidas até o fim do ano. Outros 32% querem limpar o nome, enquanto 29% planejam formar uma reserva para emergências. Esses indicadores cresceram seis e quatro pontos percentuais, respectivamente, em relação ao ano anterior.
A intenção de economizar também aumentou, passando de 64% para 69%. Além disso, 33% dos entrevistados afirmam que pretendem investir com maior frequência.
No Amazonas, os dados indicam uma redução no ritmo de crescimento da inadimplência. Entre maio, junho e julho de 2025, houve aumento médio de 1,29% no número de inadimplentes. Nos mesmos meses de 2026, a média ficou em 0,3%, sinalizando um movimento de reorganização financeira entre os consumidores amazonenses.
Renegociação de dívidas avança
A maior preocupação com a organização financeira também se reflete na procura pela regularização dos débitos. Entre maio e julho de 2026, mais de 14 milhões de acordos foram fechados por meio do Serasa Limpa Nome, crescimento de 41% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No intervalo, mais de 7 milhões de consumidores renegociaram suas dívidas na plataforma.
De acordo com a Serasa, o avanço das renegociações coincidiu com a desaceleração do crescimento da inadimplência. Entre maio e julho de 2025, o aumento médio mensal foi de 0,7%. No mesmo período de 2026, essa média caiu para 0,2%.
“Regularizar os débitos reduz o peso dos juros, melhora o acesso ao crédito e abre espaço para que objetivos financeiros, como formar uma reserva ou investir, se tornem mais viáveis”, reforça Aline Vieira. Segundo ela, revisar as metas no meio do ano pode ser o primeiro passo para retomar o controle das finanças ainda em 2026.
Apesar das dificuldades, 74% dos entrevistados afirmam estar otimistas em relação à própria situação financeira até o fim do ano.
Metodologia
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Opinion Box entre 26 de junho e 5 de julho de 2026, com 1.328 entrevistas online em todo o Brasil. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais.


