Falta de hidrovias no Norte implica em mais 20 mil caminhões nas rodovias.

O adiamento das concessões hidroviárias na Região Norte do Brasil acendeu um alerta para o setor logístico e de combustíveis. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a falta de dragagem e manutenção adequada nos rios pode resultar no acréscimo de até 22 mil caminhões por ano em rodovias nacionais já precarizadas. A entidade aponta que discussões locais pontuais têm se sobreposto à necessidade de uma macropolítica de infraestrutura.
A crise de navegabilidade afeta diretamente a bacia do Rio Tapajós e repercute intensamente no Amazonas. No estado, que depende do transporte fluvial para o fornecimento de itens vitais, as secas extremas recentes já evidenciaram a vulnerabilidade logística regional.
A paralisação ou redução do calado dos rios compromete o envio de combustíveis, alimentos e medicamentos para centros consumidores e polos industriais cruciais, como Manaus e Itacoatiara. O cenário pressiona os custos operacionais do Polo Industrial de Manaus e ameaça o suprimento de insumos em dezenas de municípios isolados.
Além dos derivados de petróleo, a distribuição de biocombustíveis e as metas de transição energética da região Norte e do Centro-Oeste entram em risco. Sem as intervenções estruturantes e previsíveis garantidas pelas concessões, a alternativa rodoviária amplia as emissões de carbono e encarrega rotas no Sul e Sudeste, agravando o gargalo logístico nacional.


