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Rio Negro chega a 25,02 m em Manaus e agrava os impactos da seca

As crises de seca e estiagem afetam o estado de maneira recorrente, comprometendo a navegação, o abastecimento de água, a pesca e a chegada de suprimentos essenciais às populações ribeirinhas.

A vazante dos rios na Amazônia segue em ritmo acelerado, impulsionada por chuvas abaixo da média na bacia hidrográfica regional. Segundo o 34º Boletim de Alerta Hidrológico divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado nesta terça-feira (25), a diminuição nos volumes de água acompanha o comportamento previsto para a temporada, embora alguns trechos registrem marcas severas para o período.

No Amazonas, os principais rios que banham o estado mantêm a tendência contínua de queda nos níveis:

  • Rio Negro (Manaus): Recuou 72 centímetros na última semana, atingindo a cota de 25,02 metros.
  • Rio Solimões: Apresentou retração acentuada. Em Tabatinga, caiu 45 cm (chegando a 3,22 m), enquanto em Manacapuru baixou 70 cm, alcançando 15,93 m.
  • Rio Amazonas: Registrou descida de 66 cm na estação de Careiro (12,86 m) e 59 cm em Itacoatiara (10,77 m), mantendo-se dentro da faixa de normalidade para a época.
  • Rio Purus: Em Beruri, o recuo foi de 74 cm na semana, situando-se em 16,98 m.
  • Rio Madeira: No município de Humaitá, a redução foi de 57 cm.

As crises de seca e estiagem afetam o estado do Amazonas de maneira recorrente, comprometendo a navegação, o abastecimento de água, a pesca e a chegada de suprimentos essenciais às populações ribeirinhas.

As emergências e alertas são organizados pelas calhas hidrográficas dos rios locais:

Municípios Afetados Historicamente por Estiagem Recorrente

  • Calha do Alto Solimões: São Paulo de Olivença, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins.
  • Calha do Médio e Baixo Solimões / Tefé: Tefé, Manaquiri, Coari e Beruri.
  • Calha do Juruá: Envira, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Itamarati e Carauari.
  • Calha do Purus: Boca do Acre, Pauini, Lábrea, Canutama e Tapauá.
  • Calha do Madeira: Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba e Apuí.

Principais Impactos nas Regiões de Risco

  • Isolamento e Abastecimento: O recuo acentuado dos leitos impede o tráfego de embarcações, dificultando a distribuição de insumos básicos, combustíveis e medicamentos.
  • Acesso à Água Potável e Saúde: Comunidades enfrentam contaminação das fontes remanescentes de água e redução de recursos hídricos para consumo.
  • Prejuízos Socioeconômicos: Queda na atividade pesqueira, entraves na agricultura familiar e prejuízos ao transporte de cargas da Zona Franca de Manaus

Rio Branco registra níveis abaixo do esperado

Enquanto a maioria das estações do Amazonas atua dentro da normalidade esperada para o período de estiagem, a bacia do rio Branco, em Roraima, acende o alerta ao registrar níveis criticamente abaixo da média histórica. Em Boa Vista, o nível caiu para 1,39 metro após recuar 35 cm, e em Caracaraí a cota atingiu 2,10 metros, ambas representando mínimas históricas para esta época do ano.

Os dados são coletados pela Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), sob governança da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e operação do SGB. As medições passam por verificações técnicas continuadas e podem ser acompanhadas em tempo real na plataforma do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).

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